CHEGADA DE CABRAL A CALICUTE: 13 DE SETEMBRO DE 1500 (MANOEL DE OLIVEIRA CAVALCANTI NETO)

Calicute no atlas “Civitates orbis terrarum”, de Georg Braun e Franz Hogenber, 1572

Chegaram a Calicute as 6 embarcações que restaram da esquadra de Pedro Álvares Cabral. Com o tempo bom e o vento favorável, Cabral e sua tripulação zarparam de Lisboa, rumo a Calicute, na Índia, no dia 9 de março de 1500.

Cavaleiro da Ordem Militar de Cristo, ilustrado e instruído, comandante militar, herói nas guerras no Norte da África, chefe de expedições exploratórias secretas no reinado de D. João II, indicado por Fernando de Menezes, contou com o apoio dos prestigiosos Afonso de Albuquerque e Francisco de Almeida, dos nobres, dos principais capitães e pilotos do reino, da igreja, dos financiadores, inclusive da Ordem de Cristo, então, D. Manuel a ele confiou a maior, a mais cara e a mais poderosa armada portuguesa.

Com o achamento do Brasil, em 22 de abril, chantou o primeiro padrão de posse em pedra lioz, com a Cruz de Cristo e o Brasão Real gravados na sua face anterior, na Praia do Marco no litoral potiguar. Navegou próximo da costa brasileira por 2.000 milhas fazendo rápidas aguadas chantando o segundo padrão em Cananeia, garantindo assim um vasto território para a coroa, embora já visitado anteriormente por nautas portugueses.

Dali seguiram de longo contra o Leste para contornar o Cabo da Boa Esperança e daí à Índia, navegando com vento de popa ou de bolina, evitando áreas de calmarias no Atlântico Sul. Enfrentando tormentas, gastou quase cinco meses, depois do achamento, para chegar a Calicute no dia 13 de setembro de 1500, com a frota reduzida a seis navios.

Depois de vários tiros de bombarda da armada, demonstrando que não se tratava de ameaça, logo vieram pequenos barcos a encostar à capitânia. Um representante do Samorim se apresentou dando boas-vindas. No dia seguinte, Afonso Furtado desce à terra e foi recebido pelo governante, ao qual entregou cartas d’el-rei de Portugal, que reiteravam intenções de paz e o desejo de comprar mercadorias.

O Samorim exigiu a presença do mais altaneiro da armada ficando acertado, por medida de segurança, fossem levados alguns homens como garantia o que não foi aceito. Somente três dias depois aceitou as condições enviando cinco homens que permaneceram a bordo enquanto Cabral esteve em terra, presenteando-o com moedas de ouro
com a efígie do rei, muitos objetos de prata, almofadas de brocado e veludo, um dossel de brocado com franjas de ouro, um tapete grande e dois panos de arrás, diferentemente das quinquilharias que levou Vasco Gama, dois anos antes.

Logo depois Cabral retornou à nau, mas o clima de desconfiança perdurou, permanecendo embarcados alguns indianos que, dois dias depois, foram levados a terra como prova de confiança. Enquanto isso, ficou a armada a olhar Calicute de longe e os homens de terra a olhar a armada ao largo. Cabral confiou e o Samorim mostrou-se de confiança, devolvendo os portugueses sem mais delongas.

A partir daí, autorizados, começaram os negócios por aquelas bandas para grande contentamento de Pedro Álvares Cabral que, agora sim, via tudo a corre dentro do desejado. Depois surgiram problemas, porque começaram a sentir que estavam sendo enrolados, o que deixou os portugueses revoltados, porque as condições mudavam e as importâncias cresciam, mesmo assim ali passaram três meses, com várias escaramuças, sob o olhar indiferente do Samorim. Calicute era uma terra de víboras, onde não avançariam no comércio, então nada havia mais a fazer ali e teriam de se retirar para outros portos.

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