COORDENADOR FITNESS DA BODYTECH TIROL RESSALTA IMPORTÂNCIA DA ATIVIDADE FÍSICA NO CONTROLE DO DIABETES

Letícia Fernandes, paciente com diabetes – FOTO: BODYTECH

Segundo Thiago Siqueira, o treinamento de força ajuda no controle dos níveis de glicose na corrente sanguínea

O diabetes é uma doença causada pela produção insuficiente ou má absorção de insulina, hormônio que regula a glicose no sangue e garante energia para o organismo. Hábitos saudáveis podem prevenir e tratar a enfermidade. De acordo com o personal trainer e coordenador fitness da Bodytech Tirol, Thiago Siqueira, o diabético “não só pode, como deve se exercitar”, sendo a musculação uma boa opção, uma vez que ajuda no controle dos níveis de glicose na corrente sanguínea.

A atividade física tem um papel importante no tratamento e controle da doença. “Com a musculação, a glicose é transportada para dentro das células, independente da insulina, auxiliando no controle glicêmico, diminuindo a circunferência abdominal e proporcionando melhora da composição corporal e do perfil lipídico”, explica Thiago.

O treino deve ser planejado de acordo com o nível de condicionamento de cada pessoa, diz ele, lembrando que o ideal é que o programa contenha exercícios de força e cardiorrespiratórios.

Quanto aos cuidados, “se for insulino dependente, o maior cuidado é ajustar o tipo e a quantidade da insulina que será ministrada antes de se exercitar, a fim de evitar episódios de hipoglicemia durante a sessão”, explica o educador físico, o qual enfatiza a necessidade de o ajuste ser feito por um médico.

As atividades físicas auxiliam no controle do peso corporal, sendo o sobrepeso um fator de risco importante para desencadear o diabetes tipo II. Há, também, controle dos níveis de glicose na corrente sanguínea, sem a necessidade da insulina.  “A Insulina é um hormônio que tem como função transportar glicose circulante na corrente sanguínea para dentro das células, onde será utilizada como fonte de energia”, comenta Thiago.

O diabetes pode causar o aumento da glicemia e as altas taxas podem levar a complicações no coração, nas artérias, nos olhos, nos rins e nos nervos. Em casos mais graves, pode levar a óbito. Comportamentos saudáveis evitam não apenas o diabetes, mas outras doenças crônicas, como o câncer.

Recomendação médica
Para a adolescente Letícia Fernandes, de 16 anos, a musculação foi recomendada por médicos. “Eles me recomendaram a prática de exercícios físicos para controlar o diabetes. Eu gosto de ir à academia e sinto os benefícios de me exercitar”, diz a jovem, que descobriu ser portadora da doença aos 12 anos.

Sua mãe, Silvania Fernandes, ratifica os benefícios. “As atividades físicas ajudam no controle da glicemia. É nítido o quanto isso melhorou a qualidade de vida dela, que frequenta a academia há três anos”, conta a pedagoga.

De acordo com a endocrinologista Raissa Castro, os exercícios físicos são fundamentais para a prevenção e tratamento do diabetes mellitus. Dessa forma, o paciente portador de diabetes pode, sim, exercitar-se.

“Segundo as recomendações da Associação Americana de Diabetes (ADA), na ausência de contraindicações, pacientes portadores de diabetes, tanto do tipo I quanto do tipo II, devem praticar treino de resistência, o que inclui a prática da musculação, de duas a três vezes por semana, em dias não consecutivos”, explica a médica, a qual reforça que toda atividade física deve ser acompanhada e orientada por um profissional de Educação Física.

Cuidados
O tratamento do diabetes deve sempre incluir uma abordagem multidisciplinar, com necessidade de monitoramento constante de médico, nutricionista, professor de Educação Física e muitas vezes também um psicólogo.

Algumas pessoas portadoras de diabetes, ao iniciar um programa de atividade física, precisam fazer um teste de esforço (teste da esteira) antes de começar a praticar exercícios, o que reforça a importância da conversa médico-paciente. Esse teste é indicado para pacientes acima de 35 anos, portadores de hipertensão  arterial, tabagistas, portadores de colesterol alto, pessoas com suspeita de doença coronariana ou cerebrovascular, além dos portadores de diabetes com suspeita de complicações renais, visuais ou neurológicas.

Raíssa lembra que, estando liberado para realizar sua atividade física, é importante que se tomem alguns cuidados. “Faça sempre um teste de glicose (glicemia capilar ou aferição pelo sensor de glicose) antes de começar a se exercitar, assim como um teste depois de terminada a sessão. Se o exercício durar mais de 40 minutos, faça também no decorrer do treino (ou até mais de um). O ideal é que a glicose esteja entre 100 e 200 mg/dL”, explica.

Além disso, ela elenca: portar cartão de identificação de diabetes; portar uma fonte de carboidratos de rápida absorção, como sachê de mel, gel de carboidrato, isotônicos, suco de laranja, maltodextrina ou dextrose para usar em caso de sintoma de glicose baixa (glicose <70mg/dL); ter horários definidos para se exercitar, de preferência, pela manhã (para minimizar o risco de hipoglicemia noturna induzida por exercícios); hidratar-se adequadamente (em geral 200 ml, de 30 em 30 minutos); usar calçados adequados e vestimentas leves; informar ao seu médico sobre qualquer sintoma diferente durante o exercício físico.

Alimentação
Referente ao pré-treino, a endocrinologista sugere a ingestão de alimentos de consistência leve para evitar desconforto gástrico, com uma quantidade adequada de carboidratos, a fim de conservar a glicemia e potencializar o estoque de glicose.

Além disso, ela sugere evitar carboidratos de alto índice glicêmico, aqueles que se transformam rapidamente em açúcar no organismo e podem ser estocados em forma de gordura posteriormente. Entram nesse grupo massas, arroz branco, doces, biscoitos recheados, bolachas de água e sal, entre outros.

“O ideal é priorizar os carboidratos de médio e baixo índice glicêmico, aqueles que demoram mais tempo para o corpo processar, como banana com aveia ou outra fonte de fibra, batata doce, macaxeira, salada de frutas com granola sem açúcar”, comenta.

Já para o pós-treino, ela diz que é preciso otimizar a recuperação dos músculos. Diante dessa necessidade, o conselho é associar boas fontes de carboidrato com proteínas, vitaminas e minerais. Podem fazer parte do cardápio arroz integral, feijão, carnes magras, crepiocas recheadas com atum ou filé de frango, omeletes com vegetais e etc. Também é essencial que o diabético tenha acompanhamento de um nutricionista para elaborar o seu cardápio.

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