CURRAIS NOVOS: FIGURAS DA MINHA ÉPOCA (MINERVINO WANDERLEY)

O texto abaixo tem um teor muito pessoal e talvez não tenha interesse para quem não tem ligações com a Princesa do Seridó. Mas faço questão de tornar público o sentimento que carrego.

Não há distinção de afeto em relação à ordem dos amigos que abaixo listo. Tem ex-colegas do Banco do Brasil, agregados, turma da cidade, funcionários das minas, etc. Tentarei fazer uma cronologia daquele período. São figuras que guardo na memória, por carinho, admiração, seja lá o que for. Primeiro, a turma do BB. Lá vai:

Celso Lisboa – Uma figuraça! Um cara com um coração enorme e cheio de boas intenções. Generoso, brincalhão e um grande parceiro nas primeiras noites que passei na então estranha terra. Trabalhamos juntos e juntos também “aprontamos” algumas.  Ganhou o carinhoso apelido de “Peito de Pombo”, porque, segundo ele, tinha um peitoral de respeito. Viva Passa e Fica! (as histórias ficam para depois).

Pípolo – Esse era – e é – um autêntico lorde, como o classifica Faiçal, um amigo comum. Não por ter dinheiro ou roupas caras, nem muito menos sangue azul, mas pelo jeito extremamente educado e gentil no trato com as pessoas. A organização era uma das suas características, daí a razão de eu não entender como ele conseguiu sobreviver com dois opostos nesse quesito: eu e Celso. Desculpe aquela bagunça, meu querido.

Tales – Foi uma das grandes amizades que fiz e que permanece inalterada até os dias de hoje. Foi uma espécie de ”irmão mais velho” que surgiu. Havia uma grande amizade entre minha família e a de sua mulher, Núbia Dantas, filha de Dona Benedita e Seu Raul. Por isso, mamãe, sempre preocupada com minha ideia de ser hippie, telefonava com certa constância para ele com o objetivo de obter notícias sobre o “caçula”. Detalhe: muita gente hoje me chama de Mané porque era assim que mamãe me chamava. E numa carta que ela remeteu a Tales se referiu a mim usando o “Mané”.  E foi como Tales passou a me chamar. Daí por diante, e até hoje, ele e mais um bocado de amigos só me tratam com esse maternal apelido. Foi um dos que ajudaram o mundo a ter um hippie a menos. Ainda tive a honra de jogar com esse craque de bola.

Bazinho – Eu o admirava quando ele jogava futebol de salão pelo ABC. Como eu sou canhoto, vibrava com os dribles e potência do chute dele. Para se ter a ideia da violência com que Bazinho batia, disputamos um torneio numa daquelas minas e a decisão foi em pênaltis. Pois quando chegou vez de Bazinho bater, o goleiro adversário disse que não “era doido para levar um chute dele” e abandonou a trave. Foi muito engraçado. Trabalhamos juntos, jogamos juntos e tomamos muitas cervejas juntos. Jurema, sua mulher, me aguentou um bocado. Bazinho é um cara de peito aberto e sempre disponível para ajudar quem quer que seja. Continuamos a participar do futebol da AABB, ele como coordenador, e eu como “treinador” de uma das equipes de sêniores – isso é pura amizade com a turma que não precisa de treinador nenhum para jogar bem. Tenho um enorme carinho por Baltazar.

Geraldinho – A gente se alinhou desde a primeira conversa. Creio que na casa de Siderley. Louco por música e futebol, assunto não faltava entre nós. Lembro quando Geraldinho quando ia passar finais de semana em Currais Novos para visitar a família de Gracinha. Acho que ele só cumprimentava a turma e ia bater na minha casa para conversar, ouvir música e tomar várias, é claro. Um fato interessante aconteceu quando ele veio ser superintende do BB no RN. Poucas pessoas sabiam da nossa ligação. Bezerra e Alfredo, que lá trabalhavam, por exemplo, chegaram até a me apresentar a ele e me indicaram como sendo um bom nome para trabalhar na Superintendência. Geraldo me deu uma discreta piscada de olho e disse: “Já que vocês indicam com tanta veemência, vou convidá-lo.” Rimos muito disso. Mantivemos essa amizade extrabanco até sua viagem final. Saudade grande de Geraldinho.

Edilson – Na minha passagem pela segunda “república”, nos conhecemos e dali nasceu uma forte amizade. Com extensão às famílias, registre-se. Solidário, saiu comigo para comprar as roupas que condiziam com um funcionário do BB (naquela época era assim). Acho que a loja era “Severino Joias”. Inteligente e responsável, Edilson teve ótima ascensão no BB, comportamento que o credenciou a continuar prestando serviços de relevância quando se aposentou. Foi presidente da AABB Natal, onde realizou uma administração impecável.

Peixe, Gentil e Seu Nísio – Eram funcionários do quadro de portaria. Guardo comigo seus gestos prestativos, a alegria com que trabalhavam e sempre mantinham as sorridentes fisionomias. Pessoas que se orgulhavam de serem funcionários do Banco do Brasil. Infelizmente, esse orgulho tem rareado muito.

Júlio Estevam e Hosana – O casal que tomava conta da AABB. Desconheço um homem mais isento de maldades do que Júlio. Chegava ser adoravelmente infantil. Júlio sempre tinha um picado especial, uma galinha caipira torrada, além de me contar histórias engraçadíssimas de sua vida em São Vicente, sua terra natal. Hosana, sua companheira, não ficava atrás. Suportaram muitas farras da gente depois das peladas.

Celso Cruz – Uma das maiores inteligências que já vi. Além disso, sua verve de humorista – sempre despertada por umas doses de rum, marcaram momentos de pura diversão. Fiquei amigo da família dele. Gostava muito de Seu Raimundo Cruz e aquela motocicleta do tempo da guerra. Com Celso Cruz, dividi as maiores presepadas de toda a minha vida. Sem contar do quanto era divertido trabalhar ao lado dele naqueles sérios guichês de caixa de banco. Isso eu contarei depois. O Gordo é um poeta e artista de mão cheia e está com um programa numa rádio de Currais, no qual ele interpreta várias personagens por ele criadas. Genial!

Luiz Ailton – Um cearense cuja fisionomia se confundia com Miéle (lembram?). Gostava de política e tinha um hábito meio estranho: só gostava de beber nas noites das segundas-feiras. Gente boa, logo se enturmou e passou a fazer parte da grande irmandade. Mora em Fortaleza.

Glauco – Conhecido como “O Barão”, era um paraibano que gostava das coisas boas, de sonhar alto, como alto era seu astral, já que nós acordávamos com músicas que ele colocava na velha e eficiente radiola Philips. Fui morar na sua república, depois que Edilson e Paulo Othon se mudaram.

Paulo Othon – Calmo, inteligente, gostava muito de conversar comigo e sempre tentava me conduzir pelos caminhos menos turbulentos. Guardei um afeto fraternal por ele. Fiquei muito feliz quando ele e outra querida figura, Madja Cruz Pontes, começaram a namorar e terminaram casando. Eles se merecem. Um beijo para o casal.

Tem mais: Tuta, Aderildo, João Alfredo, Sávio, Everlin, Jorge, Dona Mercês e Cecília, Lucilo, Graça, Mirts, Madja, Marli, Genival, Medeirinhos, Carlos José, Geraldo (saudade, meu amigo!), João Cocota, Bastalves, Duarte da Costa (Costinha), Silvério e…todos!!!

Depois virão os nativos. É muita gente e isso é muito bom!

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Comentários (2)

  • Duarte da Costa Responder

    Lembro que naquele tempo, Minervino não punha o pé dentro do sapato. Pisava sobre a sola do calcanhar. Talvez por isso o tenham entendido por hippie.
    Eu sabia que era apenas a bossa de um bom vivedor, um rebelde de pequenas causas, de alguém com estilo próprio. Ecos de uma juventude e de seus sonhos.

    5 de dezembro de 2021 at 22:25
  • Bazinho Responder

    Porra Mané que memória, a sua, fico feliz em participar do rol de seus amigos.
    Currais Novos bossa segunda e querida morasa

    5 de dezembro de 2021 at 11:02

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