CURRAIS NOVOS, MINHA ETERNA NAMORADA!  PARTE II (MINERVINO WANDERLEY)

FOTO: CLETO FILHO

Antes de voltar às agradáveis lembranças, quero fazer um reparo: a primeira “república” que me acolheu era de Celso Lisboa, Antônio Pípolo e Rênio Brito. Com os dois primeiros, contemporâneos do Colégio Marista, continuo sempre em contato. Já Rênio, parece que foi para Portugal e sumiu. Assim, peço a Celso, Pípolo e Rênio, que aceitem as desculpas desse ingrato companheiro.

Vamos lá! Vou falar do Bar de Nazaré e da Festa de Santana.

Não foi difícil me adaptar à vida nova. Como havia gostado da cidade, comecei a passar os finais de semana por lá. Era bom porque a diversão era grande, podia gastar o dinheiro que eu ganhava com meu trabalho – isso era show! -, chegar em casa a qualquer hora sem preocupações, essas coisas de quem adquire independência. Vamos às lembranças.

BAR DE NAZARÉ

Era o “point” inicial da noitada. Situado numa esquina, bem localizado e com mesas na calçada, era um lugar ideal para ver o movimento aproveitando a brisa da noite. Era a hora de esquecer as seriedades que o trabalho impunha e falar de coisas engraçadas. Falar da vida alheia? Nunca. A gente falava da nossa mesmo. Era suficiente.

Nas sextas-feiras, saía do banco e ia direto para o bar. Normalmente, com o pessoal da terra que trabalhava no banco. Aderildo (grande na altura e de coração), Celso Cruz, Glauco, Pavão, João Alfredo, Tuta, Bastinho, João Batista, Leandro (às vezes), Amadeu, entre outros que a memória não me traz. Depois, chegavam Pancinha, Lucemário, Ricardo Saldanha (falando alto), Júnior de Joel, Devanil, Babá, Mica, Mago Ary, Piano, Chico Toscano (às vezes), uns funcionários das minas, era uma miscelânea danada. E haja rum com coca-cola, whisky, cerveja, o escambau. Muitos, depois de biritados, saíam atrás de alguma festa nas cidades vizinhas. Acari e Florânea eram as preferidas. Um detalhe: não apareciam mulheres no bar. Não sei a razão. Costume, talvez.

Além da farra e das conversas engraçadas, uma boa diversão também era ver os casais passeando de carro. Quando chegavam em frente ao bar, o cidadão espiava pra gente com o canto olho, doido para estar naquele fuzuê, mas o semblante de censura da mulher cortava essa vontade. Não! Não adianta que não vou citar os nomes.

Claro que também passavam carros com as meninas. Afinal, a gente merecia um pouco de atenção delas. Umas, já numa paquera escancarada com alguém do grupo, outras, fingiam que a gente não estava ali. Era muito bom esse “modus vivendi” de interior. Simples, mas rico em sentimentos.

Lembro-me das ressacas que nem sempre eram provocadas pelas bebidas. Tinha a “ressaca financeira”. Vou explicar. Como eu deixava as contas no “prego”, no final do mês era um Deus nos acuda pra pagar. Sempre as perguntas na cabeça: “Mas eu bebi e comi isso tudo?”. É assim mesmo. Assim eu descobri que a melhor maneira de ficar rico rapidamente é tomar umas doses de bebida. Questionar a conta, nunca. É um dos males de quem compra fiado. Os mais assíduos como eu e Celso Cruz, não raras vezes apelamos para o velho “Cheque-Ouro”. Mas valia a pena.

Nunca mais vi Nazaré e Eusébio, seu marido. A última notícia que tive foi uma pessoa que me disse que eles estavam morando na Europa com o dinheiro que juntaram. Cabra falador! De qualquer maneira, onde quer que estejam, mando um beijo e um muito obrigado pelo carinho que sempre me foi dado.

FESTA DE SANTANA

O ápice da diversão em Currais Novos era na época da Festa de Santana, quando havia a famosa vaquejada. A população da cidade, no mínimo, dobrava. Era gente de tudo quanto era lugar. Filhos da terra que vinham rever família e amigos, além dos visitantes que chegavam para se divertir. A cidade ficava em polvorosa, num adorável reboliço. Para que se tenha ideia, até o Tungstênio Hotel se arrumava e passava a ter aparência dos seus áureos tempos. O Desembargador Tomaz Salustino, que assistia a tido lá de cima, ficava feliz. Viva a Festa de Santana!

Lembro-me de uma das suas edições que foi a mais divertida. Eu já estava em outra “república”, morando com Reinaldo Batista, de Natal e funcionário da Telern, Luiz Ailton, um cearense bom de prosa, Sérgio, um paraibano gente boa e Bastinho, o maior tomador de rum que já vi. Ganhava de Aderildo, imaginem. Diante disso, não preciso dizer mais nada.

A partir das dez horas da matina, a churrascaria de Roosevelt, que ficava na frente do Estádio Coronel José Bezerra, era o lugar onde a turma se encontrava e se reencontrava. Uma alegria só! Abraços, beijos saudosos, o clima ficava envolto em emoção e alegria. Era muito legal. Nossa mesa era, sem dúvidas, a mais animada. Buru no zabumba e Celso no triângulo botavam todo mundo pra cantar e dançar. Até Mica cantava, podem acreditar. Para alguns, aquilo tudo eram apenas preparativos para mais tarde irem até o parque de vaquejada dançar forró nas inúmeras barracas lá montadas. Nunca fui.

Nesse período, era comum alguns fazendeiros oferecerem churrascos nas suas propriedades, frequentados pelo pessoal mais discreto, mas nem por isso, menos animado. Tudo gente de primeira. Lembro-me de um em que estavam Adrimari, Geraldinho, Gracinha, Tales, Núbia, Bazinho, Jurema, Siderley, Sílvia, Lídio Madureira (um caso à parte de tanta irreverência), Ximenes e Ilona. – Perdão se esqueci de alguém. Afinal, eu já tinha bebido algumas e se passaram 46 anos -. Mas esses eram os mais chegados. Eu ia lá, dava um abraço naqueles queridos, tomava umas e voltava pro meio da fuzaca, que era o bom.

Quando a noite chegava, era outra conversa. Tinha festa na AABB, no Aero Clube, Clube Caça & Pesca, e todo mundo vestia sua roupa nova, comprada exclusivamente para a ocasião. Eu também caprichava, é claro. Aí era o momento de paquerar, reatar namoros, os casados dançarem juntinhos como há muito não faziam. Nessas noitadas, cada qual que pedisse o melhor whisky. Era a hora de botar a grana para fora! Ora, aqueles momentos não tinham preço. Até bandas e orquestras de fora eram contratadas para as noitadas. E a festança ia até que os primeiros raios de sol aparecessem atrás das serras.

Tudo sob as bênçãos de Nossa Senhora de Santana.

O que eu narro é fruto das minhas lembranças. Por essa razão, posso deixar de mencionar alguns nomes ou situações. Peço desculpas antecipadas. Na Parte III, vou falar de algumas pessoas e de alguns “causos”.

Um fraterno abraço e até a próxima.

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Comentários (2)

  • José Arnobio, mais conhecido por simplesmente Zé Arnóbio Responder

    Não foi nessa época, porém tive o privilégio de frequentar e depois trabalhar de garçon no bar de Nazaré, realmente era o point, até porque a localização era privilegiada né, próximo de tudo,inclusive do aero clube,gostei muito de trabalhar lá, fiz infinitas amizades além das que já tinha e mantenho até hj um laço de amizade com Nazaré e filhas,parabéns pela postagem ai!!!

    1 de novembro de 2021 at 11:49
  • Baltazar de Aguiar Responder

    Amigo também fiz parte dessa história tudo que vc relembra é a pura verdade, faltou algum nome mas na próxima edição vc não esquecerá

    31 de outubro de 2021 at 11:14

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