‘“De volta ao ponto de partida”: Considerações acerca da recidiva oncológica’ – Por Keillha Israely

O tratamento oncológico é permeado por desafios, medos, angústias, incertezas e mudanças nos contextos de vida dos pacientes e de seus familiares. É um caminho sinuoso, com muitas curvas, altos e baixos. O ponto de partida dessa jornada é o diagnóstico do câncer.

Receber esse diagnóstico é um dos momentos mais difíceis, fato sempre relatado pelas famílias acolhidas na Casa Durval Paiva. Entretanto, ao longo do caminho, as dúvidas vão sendo esclarecidas e tanto os pacientes, quanto seus acompanhantes, vão se adaptando às várias mudanças e nuances desse processo.

Com o passar do tempo e evolução do tratamento, as internações passam a ser mais curtas, consultas com menos frequência e, sem intercorrências, é possível passar mais tempo em casa e longe do hospital. Com isso, parece que as coisas vão voltando ao seu lugar e a rotina “normal” passa a ser retomada.

No entanto, alguns pacientes são surpreendidos com a temida “recidiva”, ou seja, com a recorrência e retorno da doença. Isso pode ocorrer assim que finalizam o tratamento ou num intervalo maior depois do final do mesmo. Quando isso ocorre, eles precisam retornar ao ponto de partida, ou seja, começar novamente todo o processo.

Agora, essa caminhada reinicia sem tantas dúvidas, pois muitos já conhecem o caminho percorrido. Contudo, as incertezas, inseguranças e, muitas vezes, o medo da morte é mais forte e constante do que na primeira jornada. Trata-se de um momento desafiador para os pacientes, familiares e para toda a equipe.

Nesse sentido, o suporte oferecido pela equipe multidisciplinar da Casa Durval Paiva é de suma importância para acolher esse paciente e seus familiares, unindo forças, atenção e todo o cuidado, para auxiliar, novamente, a todos os envolvidos no processo, o caminho do tratamento oncológico, em busca da cura.

*Assistente Social – Casa Durval Paiva (CRESS/RN 3592)

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