Escritos da Alma – As âncoras que nos seguram – (Flávio Rezende)

O escritor, cronista e até o filósofo, se deparam no exercer de suas reflexões, com algumas incompreensões.
Isso caso estejam apenas discorrendo sobre suas observações do planeta, sem necessariamente emitir opiniões pessoais.

A introdução objetiva esclarecer que é o caso presente, apenas reflexão, nada que indique posição própria – uma vez que o assunto é polêmico.
Adentro pois no buraco negro do suicídio e dos problemas imensos que assolam significativa parte da população mundial.

Imagine você uma pessoa sem teto, emprego, cheia de coceiras, sofrendo preconceitos cotidianos, mesmo assim com família, vendo filhos sem alimento, mulher sem saúde, esperança zero, indocumentado, na margem da margem, pense nas pessoas viciadas, mergulhadas em êxtases repentinos e depressões sucessórias, imagine os sensíveis tristes por chifres, desatenção, liseu, os politicamente com eleição perdida e causas escanteadas, futebolistas eternamente perdedores, negativos, perseguidos e preteridos, quantos sofrimentos, aflições, desesperos, desesperanças envolvidas?

Apesar de situações diversas de negatividades, onde o caminho mais fácil seria a ponte mais próxima ou o excesso de comprimidos ali no armário, mesmo assim, muitos não finalizam o ato que daria cabo definitivo a uma vida de privações, humilhações, sofrimentos, torturas mentais, entre outros fatores que influenciariam uma tomada de decisão radical de “the end” existência.

O que segura então seres tão enredados em dificuldades aqui no plano material? A religião? muitas das quais dizendo que esse caminho não leva a liberação dos sofrimentos – muito pelo contrário, insere a unidade espiritual num verdadeiro inferno no pós morte.

A família? Amor pelos filhos, esposa, parentes, que ficariam em muitos casos privados do provedor, mesmo que muito limitado em vários casos?
Temos muitas âncoras para que a alma vivente não leve a cabo a renúncia, os citados acima e vários outros motivos, deixando o pensador, o tendente ao suicídio, cheio de dúvidas diversas e interrogações sem fim.
Algumas correntes religiosas, com interpretações próprias, até incentivam suicídios em nome de causas, deixando o candidato mais animado, posto que crente no dito, pode encontrar na próxima porta, virgens e glórias por seu ato.
Diante de tudo exposto, mesmo que as âncoras da família/responsabilidade, medo das consequências etc não sejam suficientes e o ser decida pelo fim da passagem material, que pensar sobre isso?

Não sei, reputo ato de extrema coragem, desespero, não sei o que uma mente atormentada sente, o que uma pessoa com essa obsessão pela partida passa, sou apenas um pensador, um escritor/jornalista atrevido, sem profundidade, mero formulador de interrogações.

Só sei que não alcanço a verdade do que de fato ocorre, quando alguns fazem, o que vemos acontecer.
Fico aqui pensando: puts, que situação…

Flávio Rezende, aos dezessete dias, quarto mês, ano dois mil e vinte e um. 13h57. Capim Macio.

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