Geoparque Seridó lança HQ sobre diversidade do território

O professor Marcos Nascimento apresenta a primeira HQ sobre o Geoparque Seridó Foto: divulgação

A Acauã Cauã é uma ave fofoqueira que voa por todo lado e acaba sabendo de tudo que acontece na região. Seu amigo Calungu, é um calango batedor de perna e metido a geólogo. Já Madu, o mandacaru, é divertido e acolhedor, apesar dos espinhos. Cauã, Calungu e Madu são alguns dos personagens inspirados na geodiversidade e biodiversidade do Geoparque Seridó, do Rio Grande do Norte, e destacados na recém-lançada revista em quadrinhos que conta de modo lúdico e criativo a história da região para alunos do ensino fundamental.

A primeira tiragem, limitada a 400 unidades, é chamada de Mascotes do Geoparque Seridó – Nas diversidades do território, e apresenta os sete personagens que através de diversas aventuras percorrem o geoparque descobrindo suas riquezas e diversidades. O professor Marcos Nascimento, responsável pelo projeto explica a motivação por trás da iniciativa. “A História em Quadrinhos é útil para crianças, jovens, adultos e idosos e de forma lúdica permite a todos nós viajarmos. As mascotes foram escolhidas tomando como base o que temos no território, mas centrando em três grupos distintos: a geodiversidade, a biodiversidade e a cultura”, explica.

A iniciativa acontece dentro do projeto de extensão Geoeducação no Geoparque Seridó em jogos, materiais e atividades lúdicas, do Departamento de Geologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. O professor conta que desde a primeira reunião da equipe, logo após a aprovação do projeto, já foi definido entre os participantes – alunos, colaboradores, servidores e professores – que seria interessante produzir uma HQ para facilitar o diálogo com as pessoas do território e aproximar a comunidade do conhecimento geológico.

Essa geoalfabetização pretendida pelo grupo pode ser proporcionada pela criação de materiais didáticos como este, utilizados em salas de aula e pelo público em geral. Esses materiais dialogam e compartilham o conhecimento sobre geologia básica e temas ligados aos diferentes patrimônios encontrados em um território de geoparque, como o Seridó.

Assim os personagens e as histórias contadas na HQ foram cuidadosamente escolhidas para representar a diversidade local. Por exemplo: para ilustrar os geossítios os autores transformaram um dique de pegmatito (rocha comum e importante da região, de onde saíram e ainda saem vários minerais importantes economicamente) em Currais Novos, que também é conhecido pela religiosidade, e assim nasceu o personagem Pepeto (de Pegmatito), descrito como “o cabra de mais fé do Seridó todinho”. Da mesma forma foi criada a personagem Juju, uma rocha vulcânica “adolescente” de Cerro Corá, com apenas 25 milhões de ano.

Para finalizar as últimas duas mascotes retratam os jovens estudantes de Parelhas nomeados como Mariazinha e Zé, que a despeito da coragem de uma e da timidez do outro embarcam nas aventuras junto aos outros personagens e descobrem curiosidades através da mineração e observação dos locais por onde passam. A HQ apresenta as diversidades geológicas, biológicas, culturais e suas particularidades, contando as histórias que fazem do Geoparque Seridó um espaço recheado de riquezas singulares.

Marcos avisa que no futuro a edição impressa será distribuída junto as escolas da região e que o projeto de extensão ainda busca parcerias para aumentar a tiragem e expandir a distribuição. Por enquanto o trabalho pode ser conferido virtualmente no site e redes sociais do Geoparque. A segunda edição da HQ já está em produção.

Veja a versão online da HQ  // Assista ao vídeo de lançamento

A criação de arte da HQ é de Diogo Borges, roteiro de Matheus Lisboa, diagramação por Silas Costa e revisão por Marcos Nascimento, Matheus Lisboa, Silas Costa, Janaína Medeiros, Paloma Barbalho, Marília Cristina e Malena Palmieri.

Mas afinal o que é um Geoparque?

Geoparque Seridó pode ser reconhecido pela UNESCO – Foto: Cícero Oliveira

O Consórcio Intermunicipal Seridó explica que “Geoparque é um território que apresenta um notável patrimônio geológico de importância internacional, nacional ou regional, ligado a uma estratégia de desenvolvimento sustentável, onde se integram locais de interesse geológico de especial valor científico, educativo ou turístico, conhecidos como geossítios. A presença de valores ecológicos, históricos ou culturais também é importante por permitir a realização de projetos educacionais e turísticos”.

O aspirante a Geoparque Seridó está na lista de candidatos a Geoparques Mundiais da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) desde 2020. A escolha já deveria ter sido anunciada, mas foi suspensa na última etapa, que é a missão de avaliação in loco por dois avaliadores internacionais, devido à pandemia. Ainda neste mês de janeiro de 2021, poderá ser divulgada uma nova data para essa visita técnica.

O território do Geoparque é formado pelos municípios de Cerro Corá, Lagoa Nova, Currais Novos, Acari, Carnaúba dos Dantas e Parelhas. Para a candidatura na Unesco, foi desenvolvido um trabalho em parceria com as comunidades, gestores municipais e do Estado e a UFRN, unindo ações de conservação do patrimônio geológico, promoção do desenvolvimento territorial sustentável, apoio de iniciativas de artesãos e pessoas ligadas a gastronomia local.

Ao todo foram selecionados 20 geoparques em 16 países. O candidato do Rio Grande do Norte se destaca especialmente pelos relevos e formações rochosas e pela proposta de desenvolvimento sustentável.

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Fonte: Vilma Torres de Agecom/UFRN

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