“Órteses ortopédicas e fisioterapia oncológica” Por Cinthia Moreno

 

Por Cinthia Moreno*

A atuação do profissional fisioterapeuta na assistência aos pacientes com câncer é fundamental, pois os sintomas (mesmo os iniciais) e o tratamento prolongado, às vezes agressivo, podem causar comprometimentos musculoesqueléticos e sequelas funcionais para o paciente.

A fisioterapia atua com foco no bem-estar e qualidade de vida do paciente. Para isso, são realizados exercícios e técnicas específicas, para promover independência funcional, manutenção da integridade física e melhora de alguns parâmetros como: dor; restrição na amplitude de movimento articular; diminuição da força muscular; alterações na coordenação motora; equilíbrio; postura; padrão respiratório e condicionamento físico. Vale ressaltar que, nem todos os pacientes apresentarão essas alterações e os que apresentarem podem ter diferenças individuais.

De acordo com o tipo de alteração motora, o paciente também pode ter necessidade do uso de órtese, um dispositivo aplicado externamente a um ou vários segmentos corpóreos, com a finalidade de proporcionar melhor alinhamento, buscando sempre a posição funcional, ou seja, a mais adequada. São exemplos de órteses ortopédicas: bengalas, muletas, colar cervical, calha (para dar estabilidade ao tornozelo), tala (para posicionar o punho), etc.

As órteses podem ser adquiridas prontas ou podem ser fabricadas sob medida. Cada caso é avaliado individualmente. Elas são fornecidas pelo SUS ou vendidas/fabricadas em estabelecimentos especializados e a indicação pode ser feita pelo médico, fisioterapeuta ou terapeuta ocupacional.

Na Casa Durval Paiva, há diversos casos de indicação de órtese, como exemplo, G.J.S.A., 14 anos, que precisa manter seu joelho em extensão, durante pós-operatório de tumor ósseo, além dos exercícios realizados para sua reabilitação, ele é orientado quanto ao uso correto da órtese, inclusive, é estimulado a colocar e retirar sozinho.

Já M.O.C.V., 11 anos, necessita do uso de muletas para caminhar. Antes do uso das órteses, foi feito um treinamento de força muscular e equilíbrio. A paciente foi treinada para andar usando as muletas, passando pelo processo de aprendizagem motora, até ser liberada para fazer o uso sozinha, com segurança.

É importante que o paciente e seus cuidadores sejam familiarizados com a órtese e o uso correto, para que não haja complicações, pois já houve caso de paciente não retirar para o banho e apresentar alterações na pele.

Recursos como as órteses, junto aos exercícios terapêuticos, auxiliam na reabilitação e, também, promovem qualidade de vida aos pacientes, algo que é almejado durante todo o tratamento contra o câncer infantojuvenil.

*Fisioterapeuta – Casa Durval Paiva – CREFITO 83476-F

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