PENSE! Heraldo Palmeira fala da surgimento das lives e de sua importância

 

P – As lives eram um formato de comunicação pouco explorado. Com o isolamento social determinado pela pandemia, viraram uma febre. Esse processo tende a continuar?

HP – Temos hoje uma proliferação de lives, que terminou provocando uma vulgarização, um certo cansaço prematuro do formato. Mas, inegavelmente, ele mostrou-se eficiente, principalmente para utilização no mundo das corporações. O aprimoramento e a profissionalização que já estamos observando no setor pode ser um sinal de que elas devem continuar no mercado depois de redesenhadas.

P – Como você analisa essa forma de comunicação:

Do ponto de vista econômico.

HP – Pela óptica corporativa, neste período da pandemia as empresas utilizaram largamente as lives para suas reuniões de trabalho, comunicações diversas e transmissão de conteúdos. Como é uma ferramenta que alcança facilmente os participantes em qualquer lugar do planeta, já há quem preveja uma queda expressiva nas viagens corporativas para realizar reuniões presenciais.

Com isso, as empresas terão uma considerável redução de custos com deslocamentos de empregados e suas ausências do escritório. Claro que haverá reflexos em diversos setores (transporte, hospedagem, alimentação, comércio, entretenimento…), que poderão se ver obrigados a encontrar novas alternativas para reanimar suas atividades.

Em razão das experiências que as empresas tiveram agora com esse formato de comunicação, parece óbvio que não há mais sentido deslocar pessoas com a mesma regularidade de antes para reuniões em outras cidades, estados e países, a não ser em ocasiões muito específicas ou de grande interesse estratégico e negocial. Pelas mesmas razões, o segmento de eventos corporativos presenciais (convenções, congressos, seminários, feiras etc.) também poderá ser impactado a ponto de se obrigar a passar por mudanças importantes.

Pela óptica do ambiente de produção das lives, tornou-se imprescindível aprimorar o formato, inclusive abrindo espaço às inserções comerciais para viabilizar economicamente o produto e garantir os constantes investimentos em qualidade técnica e ampliação do alcance público.

Alguns setores mais conservadores ainda demonstram certa estranheza com a transformação das lives em canais amplos de comunicação, até porque continuam enxergando o formato apenas como mais uma alternativa disponível no ambiente do computador e da mesa de trabalho. Em certa medida é compreensível, as mudanças culturais sempre exigem um tempo de maturação porque mexem com conceitos, modelos, reserva de mercado, corporativismo, zonas de conforto e relações de poder/autoridade que estão fortemente estabelecidos.

Aqui na empresa, acabamos de estrear nosso projeto ALAMEDA LIVES já utilizando o modelo de programa de rádio com imagens/televisão. E cuidamos em transformar nossas lives em podcasts também, para alcançar outro público específico e que não para de crescer.

Mesmo felizes com a resposta muito positiva do público, que nos chegou pelas nossas redes sociais e contatos pessoais, já estamos trabalhando na segunda fase. Pretendemos dar um salto ainda mais visível para nos manter sempre no ambiente de excelência técnica. É o mínimo que podemos oferecer aos nossos convidados especiais que nos trazem excelentes conteúdos, expõem suas experiências e divulgam suas atividades, aos parceiros comerciais que nos apoiam e promovem suas marcas, produtos e serviços e ao público cada vez mais plural que nos honra com a audiência e recebe informações relevantes.

As lives são muito maiores do que o ambiente interno dos escritórios e aquele amadorismo da maioria das transmissões. Na verdade, compreendo as lives como mais um canal de comunicação de grande acessibilidade, que pode ser compartilhado pelas redes sociais e até por outros canais da mídia tradicional, com forte apelo para os quatro elementos envolvidos: quem realiza, quem investe, quem participa e quem assiste. E não será surpresa se, em pouco tempo, as assessorias de imprensa e os departamentos de marketing das empresas se virem obrigados a incluir esse novo modelo de lives em suas agendas e mapas de mídia.

Cultural
HP – De uma hora para outra, o mundo viu-se obrigado a utilizar as lives, uma ferramenta que já estava disponível há bastante tempo e talvez tenha ficado esquecida pela falta do apelo presencial quando não havia uma pandemia e era possível circular livremente. Como somos seres sociáveis e adoramos a companhia de outras pessoas, é compreensível que algo que promove encontros virtuais de pessoas separadas pela geografia ficasse em segundo plano.

Como a pandemia eliminou a maioria das alternativas de convívio, as pessoas logo entenderam o poderio das lives, inclusive para buscar entretenimento, o que terminou criando um novo hábito. E enquanto perdurarem o medo de contaminação e o temor de aglomerações, elas seguirão fazendo parte dos hábitos de comunicação da população. Se realmente alcançarem o status de mais um canal de comunicação na preferência do público, terão se consolidado na cultura de consumo de informação da sociedade.

P – Elas não podem vir a provocar um distanciamento entre artistas e público?

HP – Quando tratamos do negócio do entretenimento, alguns fatores específicos do setor precisam entrar na conversa. Enquanto permanece esse clima de insegurança causado pela pandemia, as lives têm se prestado a manter o contato dos artistas com seus públicos, além de permitir eventos íntimos, simpáticos e ampliados pelas generosas arrecadações de donativos para fins sociais.

Porém, conforme já afirmam executivos do mercado da música, a maioria dos artistas ainda tem dificuldades de monetizar esse formato, e até mesmo de compreendê-lo. Talvez, por isso, vimos muitos deles sem saber direito o que fazer diante da falta dos aplausos que estão acostumados a receber de suas plateias. Alguns chegaram a falar abertamente do estranhamento, do quanto estavam sentindo falta de um palco de verdade e da presença do público.

Para a maioria dos artistas, a pandemia gerou uma paralisação das carreiras e uma retração do market share, algo perigosíssimo para quem tem na imagem um dos fundamentos da atividade profissional. Por isso, entendo que esse é um segmento em que as lives continuarão tendo um papel apenas alternativo, não é uma ferramenta eficaz para manter funcionando carreiras baseadas no encanto do espetáculo.

P – Fale um pouco sobre a Alameda.

HP – A Alameda Produções nasceu em 1998 para atender a um banco regional, especificamente na área de comunicação externa. Passamos a fazer a conexão da empresa com a imprensa. Depois, o cliente nos pediu para atuar também no endomarketing. Em 2002, já estávamos respondendo inteiramente pela comunicação e marketing de outro banco regional. Mais um pouco, havíamos incluído produção cultural – meu ambiente original – no nosso portfólio e não paramos mais de buscar novas fronteiras. Em 2003, nos dedicamos a cuidar, no âmbito de um Estado, da comunicação de uma grande agência nacional de fomento do empreendedorismo. Em 2004, criamos e realizamos um grande projeto de educação a distância (transmitida pela televisão corporativa) para o maior banco do país, que durou quase dez anos com absoluto sucesso e inseriu definitivamente o audiovisual nas salas da universidade corporativa da empresa. A partir de 2010, entramos firme na área de eventos corporativos.

Agora, acabamos de criar as ALAMEDA LIVES, onde recebemos convidados muito especiais de diversos segmentos para conversas informais. Criamos uma espécie de sala de estar eletrônica, onde batemos papo a respeito de assuntos do momento e fazemos tudo para quebrar o distanciamento virtual entre quem está na tela e quem está diante dela.

Também criamos a opção de customizar nosso modelo de lives para o mercado. Antes mesmo de entrar no ar, já havíamos recebido algumas consultas de empresas interessadas em dispor do nosso formato para suas comunicações. Isso nos encheu de ânimo e estamos conversando muito a respeito.

Desde a fundação somos uma empresa leve e ágil, sempre pronta a encarar os desafios trazidos pelos clientes e desenhar soluções com rapidez e eficiência. Em janeiro deste ano, quando já soavam as primeiras notícias de pandemia, percebemos que seria obrigatório nos olhar no espelho. Hoje, a gente brinca dizendo que, enquanto o mundo parou, aproveitamos a pausa e nos tornamos cliente de nós mesmos. Reformamos toda a nossa imagem e a nossa comunicação e dividimos nosso portfólio de atividades no que passamos a chamar de “As cinco Alamedas” por onde caminhamos com nossos clientes:

– Congressos, convenções e seminários

– Feiras e exposições

– Ações motivacionais

– Produções audiovisuais

– Cultura e arte

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Comentário (1)

  • Jonas Eudoques da Silva Responder

    Ao amigo Heraldo,desejar mais sucesso profissional,na vida pessoal dizer que sinto muita saudade de nossa infância .Um grande abraço de Jonas(Neguinho)

    14 de junho de 2020 at 08:58

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