PENSE! Turismo – Coimbra: A Quinta das Lágrimas 

                                  

“Agora é tarde, Inês é morta!”. Certamente vocês já ouviram esse ditado e sabem o significado. Mas, e a origem? Ir a fundo na história foi um dos motivos que nos levaram à Coimbra, mais precisamente à Quinta das Lágrimas, antiga morada de D. Pedro e Inês de Castro, que veio a ser o cenário principal dessa linda e trágica história de amor, ocorrida no século XIV, entre o casal. Vamos ao relato desse episódio.  

Inês de Castro era dama de companhia de Constança, esposa do príncipe D. Pedro, depois Pedro I, rei de Portugal. Famosa por sua beleza, Inês era de origem Castelhana (Espanhola), mas vivia na corte portuguesa, onde tornou-se amante do príncipe herdeiro. 

O pai de Pedro, rei Afonso IV, nada satisfeito com aquela situação, já que temia o poderio da Espanha, mandou que a recolhessem em um castelo na fronteira com a Espanha, na esperança de frear a paixão entre o casal. De nada adiantou. Apesar da distância entre eles, o amor não se desfez, já que continuaram a se corresponder. 

Algum tempo depois, D. Constança faleceu durante um parto e, então, viúvo, D. Pedro fez com que Inês regressasse e foram viver juntos na Quinta das Lágrimas, em Coimbra, onde tiveram três filhos. O fato, fora dos padrões da época, causou um grande escândalo na corte, deixando Afonso IV ainda mais irritado.  

Inflamado pelas intrigas que fervilhavam em todo o reino, o rei D. Afonso decidiu acabar o romance mandando matar Inês. Aguardou o momento oportuno e, aproveitando uma viagem do filho, chamou três homens que a decapitaram.  

Provável local da execução de Inês

Quando D. Pedro retornou, era tarde, pois Inês estava morta. Revoltado, declarou guerra ao pai e saiu na caça aos assassinos, matando dois dos três culpados. Mas D. Pedro não estava satisfeito com a vingança. Seus sentimentos eram tão fortes que, quando se tornou rei, mesmo cinco anos depois, ordenou que se desenterrasse Inês, para que, em uma cerimônia, ela fosse coroada rainha mesmo depois de morta, e ainda ordenou que todos da corte do reino fossem beijar suas mãos. 

Diz a lenda que foram as lágrimas derramadas por Inês na hora da morte que deram origem à Fonte dos Amores                                       

 

Entrada da Fonte dos Amores

Quem for à Coimbra deve conhecer a Quinta das Lágrimas, cenário dessa história de amor e ódio. Hoje a propriedade tornou-se um hotel e, com algumas mudanças que foram feitas no local, acabou por perder uma boa parte da atmosfera misteriosa que tinha até há alguns anos, mas, ainda assim, é bom caminhar pelo jardim e ir até à beira do lago, tentando imaginar os fatos que ocorreram ali há mais de 650 anos. 

 

Obs.: os túmulos de D. Pedro I e de D. Inês de Castro encontram-se no Mosteiro de Alcobaça. São duas verdadeiras obras-primas da escultura gótica em Portugal, cuja construção se situa entre 1358 e 1367 e de autoria desconhecida. 

Detalhe: dizem os ditos populares que a alma de Inês ainda percorre os jardins a procura de Pedro. Será? 

Compartilhe:

Comentário (1)

  • Tania Araujo Responder

    Adorei a história.

    21 de junho de 2020 at 07:52

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.