Pesquisa sobre o Descobrimento do Brasil 

 

Por Manoel de Oliveira Cavalcanti Neto 

 

A controvérsia acerca do tema relativo ao local de desembarque da frota liderada pelo comandante Pedro Álvares Cabral, em 1500, no episódio histórico conhecido como “Descobrimento do Brasil”, tem levado a uma discussão sobre o tema e levado a muitos estudar o referido assunto. O Historiador Lenine Pinto foi quem levantou a tese que o mesmo ocorreu no Rio Grande do Norte e que a armada fundeou na Praia do Marco chantando um Padrão de Posse em pedra lioz. 

A viagem de Pedro Álvares Cabral, na primavera de 1500, teve consequências que, para além da escala nacional, se integrou na História da influência civilizadora da Europa sobre outros continentes, seguindo uma linha de ação já seguida por Portugaldurante todo o século XV. 

A expedição levava os melhores pilotos, navegadores e cosmógrafos e era a maior armada já montada por Portugal. Homens com experiência, que conheciam o segredo das terras a Oeste, e nessa direção correram. Após a primeira viagem de Colombo, em 1493, D. João II revoltou-se contra o meridiano traçado em Roma, estando determinado até pela guerra contra a Espanha, foi quando se decidiu pela alteração dessa demarcação estipulada pela Bula Inter Cœtera.  

Venceu, finalmente, a batalha diplomática em Tordesilhas quando se desenhou um novo meridiano, que garantiu quatro milhões de quilômetros quadrados a Portugal estabelecendo uma zona de influência que garantia a carreira das Índias através do Cabo da Boa Esperança. 

Pode-se relacionar os termos “acaso” e “intencionalidade”, que surgiram quando se tratou de estudar o problema da chegada à terra do pau-brasil dos portugueses em 1500: achou-se por acaso ou pôs-se a descoberto o que se sabia existir? Parece estar provado hoje em dia que a armada de Pedro Álvares Cabral não rumou inadvertidamente para ocidente quando se dirigia para a Índia, mas sim, propositadamente. 

A História Oficial do Descobrimento do Brasil se baseia em 3 documentos, considerados fontes primárias: A Carta de Pero Vaz de Caminha, considerada a Certidão de nascimento do Brasil nunca foi questionada quanto à sua autenticidade, e comprovadamente escrita no palco do acontecimento, não passa de uma carta endereçada ao Rei D. Manuel, descrevendo a terra, seus habitantes, mas com dados de distâncias, profundidades, ventos, que pouco foram considerados pelos historiadoresCarta do Mestre João, escrita em portunhol, uma mistura do português e espanhol, contém palavras em Latim. Dá uma latitude que é próxima de Porto Seguro, lugar oficial da chegada, mas estudos paleográficos recentes a levam para meados do século XVI, quanto ao Mestre João há controvérsias sobre esse personagem descoberto por Varnhagen e O Relato do Piloto Anônimo é uma tradução do espanhol para o português e não se sabe quem o escreveu. 

O mapa de Cantino de 1502 e outros dos séculos XV e XVI e autores do século XVI, como Duarte Pacheco Pereira, João de Barros, Damião de Góis, Fernão Lopes Castanheda, são as principais fontes secundárias consultadas e toda a historiografia nelas e em outras se baseiam. As contradições são muitas já que a história sempre foi escrita pela classe dominante e como recorda um antigo ditado africano: “até que o leão aprenda a escrever, a história exaltará a versão do caçador” É possível permanentemente investigar e reescrever a história, baseados nas fontes primárias e secundárias coevas com a ajuda da tecnologia moderna e suas ferramentas para nos aproximar da verdade e chegar a conclusões novas e diferentes. 

Partindo da “Carta de Pero Vaz de Caminha, minha fonte primária, analiso os elementos e investigo quanto às autenticidades da Carta do Mestre João e Relato do Piloto Anônimo; procuro pesquisar, além dos autores já citados como fontes; autores mais recentes, como Varnhagen, Capistrano de Abreu, Carlos Malheiros, Jaime Cortesão, Damião Peres, Duarte Leite, Câmara Cascudo, Lenine Pinto, Tânia Teixeira, João Morgadoentre tantos outros; os perfis dos navegadores e pilotos; autenticidade e veracidade das cartas de Américo Vespúcio; roteiro de Vasco da Gama; estudos paleográficos e “traduções” do português medieval para o português moderno; navegações e navios dos Séculos XIVXV e XVI; os Padrões de Posse de Touros (RN), o de Cananéia (SP) e os da África portuguesa, além de sua geologia; mapas dos séculos XV e XVIdados e informações onomásticas; topônimos e aguadas medievais e do século XVI; a política e secretismo português até o século XVI; ventos e correntes marítimas no Atlântico Sul; profundidades na plataforma continental brasileira; monções e influência da lua; cálculos através de expressões matemáticas, topográficas e geodésicas e seus efeitos físicos; 

Nessa esteira, trata-se, pois, de uma pesquisa que envolve um assunto tão relevante e polêmico. Além de analisar aquilo que já foi escrito, a busca de novas evidências pode coexistir. E esse é o objetivo: investigar essas novas evidências à luz da ciência moderna, respeitando o contraditório e, acima de tudo, ser imparcial. Com certeza, questionamentos surgirão, de favoráveis ou contrários, mas que no mínimo serão avaliados. 

Compartilhe:

Comentários (4)

  • Paulo Gouveia Responder

    Excelente artigo, parabéns ao Senhor Dr. Manoel de Cavalcanti Neto. O planisfério de Cantino de 1502, que estava na casa da Guiné e da Mina em Lisboa e que foi copiado por um espião genovês, já possuí todo o norte e nordeste do Brasil mapeado…! Em 2 anos os meus compatriotas fizeram este mapeamento todo?? Com os meios existentes??? Nem em 10 anos conseguiriam tal proeza….! O grande problema é que Portugal não teria mais que um milhão de habitantes, e não havia gente para povoar os territórios descobertos. E depois a politicagem teve um papel fundamental em tudo isto.. Por isso a descoberta oficial em 1500 …, depois do tratado de Tordesilhas. https://pt.wikipedia.org/wiki/Planisf%C3%A9rio_de_Cantino

    7 de junho de 2020 at 07:44
  • Claudia Rejane Responder

    Grande pesquisador, comentários pertinentes à causa que defende.

    1 de junho de 2020 at 12:42
  • Tânia Maria da Fonseca Teixeira Responder

    Manoel, parabéns pelo texto.
    Sua pesquisa é abrangente e minuciosa. Obrigada pelas nuances, não teria condições de pesquisar com tantos detalhes.
    Faço votos que consigamos atingir nosso objetivo de comprovar o Descobrimento do Brasil na Costa do RN. Caso não se comprove, sua pesquisa será importante para o entendimento da nossa real História. Abs. Tânia Teixeira.

    1 de junho de 2020 at 10:59
    • Manoel de Oliveira Cavalcanti Neto Responder

      Grato Tânia. Obrigado.

      17 de junho de 2020 at 07:25

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.