TRISAL, POLIAMOR: CHEGOU O FIM DA MONOGAMIA?

Enquanto mais casais experimentam diferentes formatos de relação, especialistas opinam sobre o futuro do amor

(Foto reprodução: Giovana Karime)

“Prometo ser fiel até que a morte nos separe”. A frase clássica das cerimônias de casamento já não faz o mesmo sentido que antigamente. Ok, para muitos casais, o ato de ver o parceiro sendo romântico ou se envolvendo fisicamente com outra pessoa ainda é um limite inaceitável. Mas há quem diga que este modelo de relação – a monogâmica – está com os dias contados: ninguém desejará ter um parceiro só pelo resto da vida.

O futuro incerto do amor está sendo constantemente disputado por grupos, assim como a política e os costumes. Entre ondas liberais e conservadoras, o jeito de amar segue sofrendo profundas transformações. Universa conversou com especialistas e casais que vivem diferentes modelos de relacionamento para tentar entender qual o futuro do amor – spoiler: não há consenso sobre como serão as relações em algumas décadas. No entanto, existe um denominador comum: o de que estamos passando por um momento de transição.

Para evitar a confusão de termos, veja as definições mais recorrentes de cada palavra:

Poliamor

Possibilidade de estabelecer mais de uma união afetivo-sexual com a concordância de todas as partes envolvidas.

Relacionamento aberto

Possibilidade de criar vínculos extraconjugais restritos ao âmbito sexual, com a ideia de que a relação amorosa se dá apenas com uma pessoa.

Não-monogamia

Termo amplo para práticas que rompem com o padrão monogâmico. Entre elas, o poliamor, o relacionamento aberto e o swing.

Até que a morte nos separe?

O espanhol Manuel Lucas Matheu, presidente da Sociedade Espanhola de Intervenção em Sexologia, nega que a monogamia tenha se estabelecido como a forma predominante das relações por ser um instinto natural dos seres humanos. “Ela só está presente em 3% dos mamíferos”, diz. O sexólogo também cita o atlas etnográfico de Murdoch que, nos anos 60, analisou 238 diferentes sociedades do mundo e constatou que apenas 16% delas eram monogâmicas.

Por que então adotamos o modelo? Segundo o pesquisador, o motivo principal está na economia. “Estudos sociais e biológicos confirmam que a predominância da monogamia na sociedade está associada à escassez de recursos”, afirma. Tal como as cegonhas, que não têm tempo de variar os parceiros porque gastam muita energia em seus deslocamentos, decidimos nos juntar em pares porque este seria o modelo de vida menos custoso para a sobrevivência da nossa espécie.

Regina Navarro Lins, psicanalista e escritora, tem uma interpretação semelhante da história. “5 mil anos atrás, não havia a ideia de casal. As pessoas viviam em comunidade e homens e mulheres transavam entre si. O cenário mudou com a percepção de que o homem também participa na procriação. Com isso, surgiu a propriedade privada: ‘meu rebanho’, ‘minha terra’. Assim, a mulher foi aprisionada e teve seus desejos reprimidos. Os homens não queriam correr o risco de deixar suas heranças para os filhos de outros”, explica.

UNIVERSA

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