As 10 Melhores Minisséries de 2022!Dos bastidores de “O Poderoso Chefão” a um mundo pós-apocalíptico realista.
10 – This is going to Hurt (HBO Max)A não ser por obras diferentes como “House” e “Scrubs”, não tenho paciência para séries médicas. Todas, depois de um tempo, repetem a mesma fórmula, só mudando o drama dos envolvidos. Não é o caso desta minissérie bancada pela BBC que mostra a vida de dois jovens médicos obstetras (Ben Whishaw e Ambika Mod) tentando sobreviver no meio da politicagem do sistema público de medicina britânico e ao estresse da profissão. Tem dramalhão, mas ele é confrontado pelo ótimo humor venenoso do texto de Adam Kay (não confundir com Adam McKay, de “Não Olhe Para Cima”), criador da série e do livro autobiográfico que serve de inspiração. 9 – Super Pumped – A Batalha pela Uber (Paramount+)No início, “Super Pumped” parecia ser um “Billions” movido à cocaína: textos rápidos forçadamente cool, ricaços fazendo merda e o povo pagando o preço da inconsequência. Mas a minissérie criada por Brian Koppelman e David Levien, sim, dupla de “Billions”, se equilibra rapidamente ao investigar os bastidores da origem, ascensão e “queda” do Über sob a ótica do seu fundador e CEO, Travis Kalanick (Joseph Gordon-Levitt). Corrupção, pilantragem, traições e muita grana com a narração de Quentin Tarantino, que, de certa forma, se reúne com Uma Thurman, sua estrela de “Pulp Fiction” e “Kill Bill”, dona do papel de Arianna Huffington. 8 – Cinco Dias no Hospital Memorial (Apple TV+)Parece uma contradição, já que acabei de dizer que não gosto muito de séries médicas. Mas essa minissérie do Apple TV+ não é sobre doutores e medicina, mas sobre as decisões erradas que culminaram numa tragédia hospitalar após a passagem do furacão Katrina por Nova Orleans e a consequente inundação da cidade. Você sabe o que está por vir, mas não consegue deixar de torcer para que não aconteça. 7 – Pam & Tommy (Disney+)Com dois episódios a menos, essa minissérie em oito partes estaria perto do topo das melhores do ano. Mas a criação do roteirista Robert Siegel (“O Lutador”) com direção inicial de Craig Gillespie (“Eu, Tonya”) perde muito o foco e a energia com o passar do tempo. Mesmo assim, a atuação monstruosa de Lily James e Sebastian Stan como Pamela Anderson e Tommy Lee, baterista do Mötley Crüe, serve como âncora para a famosa e bizarra história do vazamento da sex tape do casal, um marco do início da Internet. 6 – Em Nome do Céu (Star+)A minissérie em seis episódios é baseada em “Pela Bandeira do Paraíso”, livro de Jon Krakauer, roteirizada por Dustin Lance Black (“Milk”), protagonizada por Andrew Garfield e dirigida por David Mackenzie, de “A Qualquer Custo”. Além disso, tem uma história real quase inacreditável sobre o assassinato de uma mãe (Daisy Edgar-Jones) e sua filha, em 1984, com ramificações centenárias. A minissérie acrescenta o personagem fictício de Garfield, um detetive mórmon que confronta suas próprias crenças. É uma escolha compreensível para traçar a linha necessária da investigação dramática, mas “o homem questionando a própria alma” é um pouco batido para meu gosto. Mesmo assim, muito pouco para não deixar de ficar totalmente imerso no mundo criado por “Em Nome do Céu”, que se importa mais sobre as razões do assassinato e menos com quem foi o autor. 5 – Bem-Vindos ao Clube da Sedução (Star+)O ator e comediante Kumail Nanjiani (“Eternos”), que também trabalha como showrunner ao lado da mulher, Emily V. Gordon, entrega seu melhor papel como Steve Banerjee, homem ambicioso e inseguro que funda o inovador clube de strip masculino Chippendales, em Los Angeles e causa uma revolução sexual nos EUA. Murray Bartlett, em outra interpretação magistral depois da sua premiada passagem por “The White Lotus”, faz Nick De Noia, coreógrafo que tem uma relação complicada com seu “chefe”. Drogas, mortes, dramas íntimos, imigração, preconceito, trambiques e sexo embalados numa minissérie hipnotizante. 4 – A Oferta (Paramount+)É uma pena que a minissérie sobre os bastidores da criação de “O Poderoso Chefão” tenha sido usada para lançar o serviço de streaming Paramount+. Na época, poucos tinham acesso a ele, diminuindo as chances de “A Oferta” entrar nas listas de premiações. Mas poucas obras na TV foram tão detalhadas e generosas com um filme de cinema. A trama gira em torno de Bob Evans (Matthew Goode), chefe da Paramount Pictures, e Albert S. Ruddy (Miles Teller), produtor designado por Evans para assumir o controle de um possível mico chamado “O Poderoso Chefão”, longa baseado no best-seller de Mario Puzo (Patrick Gallo) -que, contra a própria promessa, escreveu sobre uma família de mafiosos para pagar as dívidas. Obviamente, se você é fã da obra original de Francis Ford Coppola, será recompensado. Para os leigos, vira uma história de mafiosos, poder, cinema dos anos 70 e até de crimes. 3 – Blackbird (Apple TV+)Poucos suspenses policiais foram tão envolventes quanto essa produção do Apple TV+ em 2022. Taron Egerton faz um traficante de drogas e ex-capitão do time do colégio que recebe uma proposta das autoridades: sua pena será perdoada se ele conseguir a confissão de um suposto assassino em série (Paul Walter Hauser) de garotas, preso em uma penitenciária de segurança máxima. O duelo entre Egerton e Hauser é sublime, alimentado pelo texto de Denis Lehane (“Sobre Meninos e Lobos”), pela direção de Michaël R. Roskam (“Bullhead”) e a trilha sonora do Mogwai. A trama subverte noções de moralidade de maneira esperta e o penúltimo episódio é um soco no estômago. 2 – The Dropout (Disney+)Eu já era bem versado sobre a história de Elizabeth Holmes por causa da cobertura que fiz do documentário da HBO “A Inventora: À Procura de Sangue no Vale do Silício”. Mas “The Dropout” vai muito além das questões legais e da picaretagem tecnológica da mulher que alegava ter criado uma máquina portátil capaz de analisar uma gota de sangue e entregar o resultado em poucos minutos. Culpa da criadora Elizabeth Meriwether (“New Girl”), que espertamente apontou o foco da minissérie para a relação de Holmes, vivida de forma brilhante por Amanda Seyfried, com seu sócio e amante Sunny Balwani (Naveen Andrews, também em seu melhor papel desde “Lost”). Meriwether consegue tocar em assuntos delicados e sobre a influência da cultura machista no Vale do Silício, mas não esconde os erros dos seus protagonistas por baixo de uma moralidade forçada. Ela não tenta julgar, mas toma decisões criativas sensacionais para mostrar a ascensão oca de Holmes, capa da “Time”. 1 – Station Eleven (HBO)Quando escrevi sobre “Station Eleven”, muitos meses atrás, falei que era “a série certa na hora errada”. Estávamos no início de 2022 (a série estreou no fim de 2021) e a pandemia tinha passado seu auge negro, mas ainda nos assombrava demais. Não ajudava o fato de o piloto da minissérie em 10 partes ser um retrato assustadoramente real da proliferação de um vírus em nosso mundo, aquela mistura de normalidade incrédula com paranoia iminente. Quem conseguiu superar o tenso primeiro episódio, se deparou com uma das histórias pós-apocalípticas mais delicadas, criativas e originais dos últimos anos: ela usa uma trupe de teatro itinerante como espinha dorsal da trama, mas é muito mais abrangente que isso. É uma linda história sobre família, amor, perda, arte, empatia e reconstrução humana com um uso magnífico de flashbacks e inserções shakespearianas. Se você ficou decepcionado com os discursos insuportáveis de “Y – O Último Homem”, dê uma chance para “Station Eleven” e se apaixone pelos personagens sabendo que o fim está próximo de qualquer maneira. |
28dez















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