
REPRODUÇÃO
Por Carla Araújo
Professores da rede pública precisariam trabalhar mais 10 mil anos para alcançar o atual teto do funcionalismo público, de R$ 39,2 mil por mês.
Uma calculadora, criada pelo Centro de Liderança Pública (CLP) e o movimento Unidos Pelo Brasil, permite que o usuário de qualquer profissão calcule quanto tempo demoraria para alcançar o salário dos servidores que formam a elite do funcionalismo público.
A calculadora dos supersalários do CLP mostra quantos anos de trabalho são necessários para que um trabalhador do setor público ou privado chegue ao teto do funcionalismo público, de R$ 39,2 mil. A calculadora leva em consideração o ritmo médio de progressão salarial de um profissional. Com base desse aumento médio previsto é possível calcular em quanto tempo ele estará recebendo, mensalmente, os R$ 39,2 mil.
O cálculo citado levou em consideração o piso salarial para um professor de escola pública, definido pelo MEC (Ministério da Educação), de R$ 2.886,24 mensais em 2020. O perfil foi de um profissional homem, que vive no estado de São Paulo e trabalha na rede estadual há 5 anos e o resultado: 10.491 anos para chegar ao teto salarial de R$ 39,2 mil.
Para o diretor do CLP, Tadeu Barros, a calculadora mostra como o estado brasileiro é também um indutor de desigualdades e que há décadas carece de mudanças no que se refere à máquina pública no Brasil.
“O primeiro passo é acabar com os privilégios de uma pequena parcela do funcionalismo público não só pela questão fiscal, mas também a moral. Temos no país 25 mil servidores que custam R$ 2,6 bilhões por ano ao país, o que representa somente 0,23% do total dos funcionários públicos do Brasil”, afirmou à coluna.
Supersalários em pauta
A disparidade entre os salários do funcionalismo não é o ponto central abordado no projeto de lei que trata dos supersalários, mas deveria também entrar nas discussões.
A Câmara dos Deputados decidiu discutir, com urgência, projeto que tenta alterar as regras do atual limite do teto de remuneração do servidor público. O texto está na pauta do plenário.





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