
Diamante Estrela de Golconda está sendo exibido em Paris — Foto: AFP
Uma exposição de joias reais foi inaugurada nesta quarta-feira em Paris (França), apesar de a cidade ainda estar se recuperando do ousado assalto às joias da coroa que ocorreu no vizinho Museu do Louvre, em outubro.
A operação de quatro minutos no Louvre esvaziou as vitrines da Galeria de Apolo, forçou seu fechamento e abalou a confiança pública na segurança cultural da frança. Enquanto a galeria saqueada permanece isolada, o Hôtel de la Marine (local de um roubo em joias em 1792), abre as portas para a exposição “Joias Dinásticas”, apresentando mais uma centena de peças.
A exposição inclui joias de coleções internacionais, como a coleção AI Thani e o Victoria and Albert Museum, além de grandes empréstimos de figuras, como o Rei Charles III e marcas como Cartier e Chaumet. Entre os destaques estão o imponente Diamante Estrela de Golconda, de 57 quilates, a tiara de esmeraldas e o coronel de safiras que o príncipe Albert desenhou para a Rainha Victória (reunidos a mais de 150 anos), e os adornos de vestido de Catarina, a grande, cravejados de diamantes.
Os curadores explicam que a exposição busca ilustrar como pedras preciosas e objetos cerimoniais serviram como expressões de poder, prestígio e identidade ao longo dos séculos XVIII, XIX e XX. Contudo, essa exibição surge em um momento delicado, especialmente após manifestantes terem vandalizado uma vitrine de joiais reais em Londres no fim de semana, em protestos contra desigualdade social.
Em resposta à crise de segurança, a diretora do Louvre, Laurence des Cars, anunciou que cerca de 100 novas câmeras de vigilância e sistemas anti-intrusão serão instalados, com a rede completa prevista para o final do próximo ano. A investigação do assalto permanece ativa, e nenhuma das peças roubadas foi recuperada até o momento.
Embora o Hôtel de la Marine não tenha comentado sobre o reforço das medidas de segurança após o incidente no Louvre, o museu enfatiza que foi reconstruído em 2021 com proteções modernas e de alto grau. O detetive de arte Arthur Brand notou que a lição aprendida no Louvre deve garantir uma vigilância maior no novo local.
Apesar disso, alguns parisienses sentem que a abertura da exposição é inadequada. “As pessoas ainda estão chateadas com o que aconteceu no Louvre, e agora há outra exposição de joias abrindo logo ali. É muito cedo”, disse um gerente de loja local.
Com o fechamento da Galeria de Apolo, o Hôtel de la Marine se torna um destino imediato para admiradores de joias, oferecendo uma oportunidade de ver tesouros que resistiram às turbulências e perdas históricas que agora atingem as joias do Louvre.
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