Especialistas acabaram de cultivar um rim funcional em laboratório. Isso pode mudar os transplantes para sempre.
Em um avanço que pode remodelar o futuro dos transplantes de órgãos, cientistas do Massachusetts General Hospital conseguiram cultivar um rim funcional em laboratório e implantá-lo em ratos, onde ele começou a produzir urina.
Este feito marca um dos órgãos mais complexos já bioengenheirados, exigindo a reconstrução de vasos sanguíneos intrincados, unidades de filtração e canais de drenagem. Os pesquisadores começaram removendo as células vivas de um rim de rato doador, deixando apenas uma estrutura natural composta por proteínas estruturais.
Em seguida, repopularam essa estrutura com dois tipos de células, uma para reconstruir os vasos sanguíneos e outra para regenerar os componentes filtrantes do rim, antes de incubar o órgão em um biorreator que imitava as condições internas do corpo.
Após 12 dias, o rim cultivado em laboratório foi transplantado para um rato vivo, onde filtrou o sangue com sucesso e produziu urina. Embora o desempenho tenha sido limitado, alcançando cerca de 5% da função renal normal dentro do corpo, foi uma poderosa prova de conceito.
Para pacientes em diálise, até mesmo 10–15% de funcionalidade poderia oferecer alívio significativo ou independência das máquinas. Com mais de 100.000 pessoas na fila de espera por transplante de rim nos EUA, órgãos bioengenheirados a partir das próprias células do paciente poderiam reduzir o risco de rejeição e expandir drasticamente o acesso ao tratamento. Ensaios em humanos ainda estão distantes, mas o estudo representa um passo ousado na medicina regenerativa.
Fonte: @mahaucruz
Song, J. J., et al. Regeneration and experimental orthotopic transplantation of a bioengineered kidney. Nature Medicine, 19, 646–651.





Deixe um comentário