
Haylane, uma brasileira que venceu o câncer 5 vezes, realizou o sonho de ser mãe, duas décadas depois do diagnóstico de câncer de ovário, no Rio de Janeiro. – Foto: arquivo pessoal/SNB
Sabe quando nada te demove do sonho de ser mãe? Aconteceu com essa brasileira que sofreu o câncer 5 vezes e agora conseguiu ser mãe.
Aos 20 anos de idade, a enfermeira Halayne Rodrigues de Souza Ávila recebeu o diagnóstico de câncer de ovário e teve que retirar os ovários e as trompas com urgência, do contrário iria morrer.
Agora, depois de mais de duas décadas de cirurgias e recidivas de câncer, ela conseguiu realizar o sonho de maternidade por ovodoação e barriga solidária de uma prima do marido, a Raquel. Assim, nasceu o pequeno Ravi. Raquel batizou a criança e criou um vínculo eterno com a família.
O primeiro câncer
Halayne é de Santo Atnônio de Pádua (RJ) e recebeu o diagnóstico de câncer de ovário em 2021. A doença foi descoberta já em estágio avançado e teve diversas recidivas. Três em cada quatro pacientes só descobrem a doença em estágios avançados, tornando o prognóstico desafiador.
“Eu senti muita dor no estômago, mas fiquei que era gastrite. Com o passar do tempo, a barriga foi crescendo e a dor aumentando. Foi quando procurei o médico e descobri o câncer”, disse Halayne ao Metrópoles .
“Desde o primeiro diagnóstico, já tinha medo de não ser mãe. Nessa época, o congelamento de óvulos era muito caro e pouco relatado. Acho que nem poderia tentar pelo meu estágio da doença. Depois, tirei o útero. Mas tinha na cabeça que a maternidade aconteceria de alguma forma para mim”, conta.
A doença retornou
Ela retirou os ovários e as trompas e quando parecia tudo bem, a doença voltou dois anos depois, em 2003.
Uma metástase atacada no útero e no saco posterior (região entre o útero e o reto). A nova cirurgia foi acompanhada de mais um ciclo de seis sessões de quimio.
Durante quase uma década, Halayne ficou sem sinais de câncer no corpo. Porém, 10 anos após o primeiro diagnóstico, ele voltou a aparecer, dessa vez na bexiga e no intestino. O estado era tão avançado que uma enfermeira precisava passar por um complexo ciclo de quimios e cirurgias para tentar preservar ao menos parte de sua bexiga. Entre 2011 e 2024, Halayne passou por mais de 10 cirurgias.
Outro tumor 5 anos depois
Após 5 anos, em 2017, apareceram mais tumores no reto, o intestino e o diafragma (espécie de cobertura entre o sistema digestivo e as infecções). Ela precisou ser operada novamente.
“Essa cirurgia foi a mais solicitada, pois teve uma intercorrência durante a recuperação. Tive uma fístula no ureter e preciso passar por uma nova cirurgia na semana seguinte. Usei bolsa de colostomia por dois anos e passei por mais seis ciclos de quimioterapia a cada 21 dias”, define ela.
Em 2021, o câncer reapareceu na pleura, filme que envolve os pulmões. Haylane fez outra cirurgia. Três anos depois, em 2024, a doença voltou, desta vez no tórax. “Coloquei uma prótese de titânio no peito. Atualmente, sigo com uma nova medicação para tentar estacionar a doença. Sigo lutando contra o câncer. Faço exames a cada três meses. Tudo foi, e ainda é, muito difícil”, contou.
O sonho de ser mãe
Mesmo com tantos problemas, o sonho da maternidade nunca parou e reascendeu quando ela descobriu o projeto Nós Tentantes, durante uma conversa informal no trabalho.
O grupo, criado em 2019 a partir da vivência do casal fundador, oferece uma rede de apoio e informação para quem deseja ser mãe por ovodoação ou barriga solidária.
E Halayne, que precisaria esperar até um ano na fila por um óvulo, recebeu o melhor presente, 4 meses depois. Raquel, prima do marido dela, se ofereceu para ser solidária.
Nasceu o Ravi
Em 2023, o sonho virou realidade. O pequeno Ravi nasceu para coroar uma vida cheia de batalhas e vitórias.
Raquel, que gerou uma criança, se tornou madrinha de batismo de menino e trouxe nova esperança para a família.
“Foi um dos momentos mais emocionantes da minha vida. Senti uma gratidão profunda e um amor imenso pela Raquel. Ela é um ser humano extraordinário, que transformou um processo cheio de desafios em algo leve, repleto de amor e generosidade”, agradeceu Halayne.





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