Avenida Nevaldo Rocha ou Bernardo Vieira? Saiba suas histórias e tire sua conclusão

A Avenida Bernardo Vieira liga os bairros de Lagoa Nova e Tirol aos localizados na zona Norte. É uma das principais ruas da capital do estado do Rio Grande do Norte. Esta avenida, em sua maioria, tem vocação para o comércio, porém ainda há algumas residências. Nela, se concentra os importantes estabelecimentos comerciais da cidade, principalmente na altura do bairro do Tirol, na zona Leste da cidade.  Agora, há uma proposta para mudar seu nome para Nevaldo Rocha. Conheça a história dos dois e faça sua escolha.

Quem foi Nevaldo Rocha?

Reprodução

Nevaldo Rocha de Oliveira (Caraúbas, 21 de julho de 1928 – Natal, 17 de junho de 2020) foi um empresário brasileiro, fundador do Grupo Guararapes, considerado a maior confecção de vestuário da América Latina, produzindo mais de 200 mil peças por dia. Também atuou no varejo, com as Lojas Riachuelo, bem como no ramo de administração de shoppings-center, de teatros, transportadoras e financeira. Em 2014, foi considerado a 30º pessoa mais rica do Brasil, com fortuna avaliada em R$ 5,36 bilhões, de acordo com a revista Forbes.

Biografia

Natural de Caraúbas, cidade localizada na Região Oeste Potiguar. É pai do empresário e ex-deputado federal pelo Rio Grande do Norte, Flávio Rocha, que já exerceu a função de presidente da rede lojas Riachuelo. Sua vida pessoal e a de sua família se misturam à sua trajetória empresarial.

Ainda jovem, Nevaldo Rocha largou os estudos e resolveu migrar do interior do estado para a capital, Natal, com esperança de ser recebido pela primeira-dama do estado, Leonila Fernandes Gurjão. Contava com apenas uma moeda no bolso e 12 anos de idade. Sua mãe contara que conheceu a esposa do governador em uma quermesse da cidade, e na cabeça da criança elas haviam se tornado amigas, logo ajudaria a família a sair da miséria da seca.

Muitas horas e 300 km após sair de Caraúbas de pau de arara, desembarcou na rodoviária de Natal, no bairro da Ribeira, e com a única moeda que tinha pagou um carregador de malas para ser levado até a residência do governador Rafael Fernandes. Caiu em pranto quando descobriu que nem o mandatário e nem sua esposa estavam em casa, e foi acolhido, pelos guardas da casa, na guarita.

Um tio do governador teria se comovido com a situação e conseguiu trabalho para ele com seu amigo Moisés Ferman, dono de uma relojoaria. Além do salário baixo, o patrão lhe deu uma rede para dormir e fornecia café da manhã.

Natal estava cheia de estrangeiros, 10 mil, graça a II Guerra Mundial. Foi com os gringos que ele aprendeu a fazer negócios. Com o dinheiro que juntou, comprou o negócio do patrão. Nevaldo tinha então 18 anos.

Aos 20, em 1947, percebendo que relógios não davam mais tanta renda, muito em virtude da saída repentina dos militares americanos, inaugurou uma loja de roupas, chamada “A Capital”. Quatro anos depois, ele abriu uma pequena confecção, em Recife, e adquiriu novos pontos de venda. Certamente é daí que vem o nome Guararapes.

Só no ano de 1956 que ele e seu irmão Newton Rocha fundaram a Confecções Guararapes. Dois anos mais tarde, realocaram a matriz para Natal, na esquina da Bernardo Vieira com a estrada para Parnamirim (hoje Av. Sen. Salgado filho), de fronte à então construção inacabada da Escola Industrial Federal do Rio Grande do Norte (hoje IFRN). O presidente era Juscelino Kubitschek e o Brasil vivia o chamado 50 anos em cinco, com grande disponibilidade de crédito.

Três anos mais tarde nascia seu filho Flávio Rocha, fruto da união com Eliete Gurgel Rocha.

A família se mudou em 1967 para São Paulo, pois Nevaldo queria supervisionar de perto a expansão dos seus negócios para o centro sul.

Desde cedo que Flávio era colocado em pequenas funções de aprendizado nos negócio. Aos 14 anos ajudava na distribuição de camisetas para aquela que foi uma das primeiras franquias do país, a Super G

Em 1979, Nevaldo adquire as lojas Riachuelo, que desde então se tornou a peça central do negócio.

Nos anos 80, com Flavio já formado em Administração na Fundação Getúlio Vargas, o grupo começa a investir pesado e publicidade. Em 1982, a Pool, recém lançada marca de jeans da Guararapes, patrocinou o então campeão inglês da Fórmula Ford, Ayrton Senna. Foi esse valor, inicialmente em torno de 100 milhões de Dólares que possibilitou a participação de Senna na Fórmula 3 naquele ano. Vale citar que o montante equivalia à metade da verba publicitária do grupo no ano.

No final da mesma década, enfrentou greves nas sua fábrica, intensificadas pelos movimentos de redemocratização do Brasil. No mesmo embalo, elegeu Flávio deputado federal em 1986, fazendo dele um constituinte, e reelegeu em 1990. Flávio ainda tentaria uma pré-candidatura a Presidente da República em 1994, com a bandeira do Imposto Único, mas seu partido o preteriu, apoiando aliança que elegeu Fernando Henrique Cardoso. Na ocasião, foram publicadas matérias achincalhando o fato de Nevaldo ainda sustentar o filho, que tinha 36 anos.

Nos anos 2000, Nevaldo expandia ainda mais a atuação do grupo, entrando para o ramo de shoppings. Em 2005 inaugurou o Midway Mall, maior e mais conhecido shopping do estado, no terreno da fábrica que fora transferida para Extremoz, próximo à Zona Norte de Natal. O terreno, que outrora ficava numa esquina de um bairro distante, já se tornava um dos cruzamentos mais movimentados da capital. Conta-se que, em virtude da inauguração, ficou impossível ter aula na escola que ficava em frente, o CEFET-RN (hoje IFRN), já que os estudantes foram todos conferir a novidade, que era anunciada massivamente na TV com um comercial de 1 minuto, ao som de Tim Maia. O shopping segue em constante expansão, e hoje conta mais de 300 lojas, sendo 15 âncoras, entre elas Zara, Extra, Americanas e Riachuelo, estacionamento gratuito para quase 4000 vagas, cinema e, amplo, versátil e moderno teatro. Por ele passam quase 70 mil pessoas diariamente, muitas literalmente de passagem pelos corredores, já que o estabelecimento fica em uma localidade por onde passam ceca de 50% das linhas de ônibus da região metropolitana de Natal. Fatura anualmente R$ 1,1 bilhão e faz parte do seleto grupo que não chega a dez shoppings em todo o país com faturamento acima do patamar de R$ 1 bilhão.

Com a abertura do shopping, e dentro dele uma enorme loja Riachuelo, iniciava-se definitivamente o direcionamento de toda produção da fábrica Guararapes para as lojas Riachuelo, processo concluído em 2008. Nesse mesmo ano, é aberta a Midway Financeira, para ser a financeira do Grupo Guararapes. Atualmente é a maior emissora de cartões private label do Brasil, responsável pelos Cartões Riachuelo. Graças a esse braço do grupo Guararapes que Natal ganhou seu primeiro grande call center, em terreno outrora ocupado em uma escola destinada a filhos de funcionários, na esquina das Av. Bernardo Vieira e Prudente de Moraes.

Em 2013, o Grupo de Nevaldo Rocha encabeça o Pró-Sertão, em parceria com entidades públicas e privadas. o programa consiste em interiorizar, através de pequenas facções, a produção da fábrica, levando emprego para o sertão do estado do Rio Grande do Norte. De início, cerca de 5 mil carteiras de trabalho foram assinadas graças ao programa, sendo 90% delas pela primeira vez. Foi por este programa que o grupo enfrentou um dos seus maiores processos trabalhistas, porém apenas mais um para se somar à lista de quase 2000 da mesma natureza, movidos no RN e em outros estados onde as empresas atuam, fazendo a família ser uma das mais acionadas do ramo têxtil nesse tipo de processo.

Em 2014, Nevaldo foi considerado a 30º pessoa mais rica do Brasil, com fortuna avaliada em R$ 5,36 bilhões, de acordo com a revista Forbes, sendo então o único bilionário brasileiro em Dólar da indústria da moda.

Na ocasião, o Grupo Guararapes já era a maior cadeia integrada de fast-fashion do Brasil, avaliada em cerca de R$ 7 bilhões e conhecida no mercado internacional como a Zara brasileira. Estava definitivamente quebrado o paradigma de que bilionários só os participantes das indústrias de minério de ferro, do aço, do petróleo e dos bancos.

Em agosto de 2018, renunciou ao cargo de presidente do conselho da Guararapes, indo ocupar cargo de honra. Pouco antes disso, viu seu filho Flavio tentar mais uma vez uma pré-candidatura à presidência, retirada em favor de uma união de centro direita em torno de Geraldo Alckmin, tendo defendido Bolsonaro no segundo turno.

A Família terminou o ano de 2018 com uma fortuna acumulada de 2.4 bilhões de Dólares segundo a Forbes. Nesse mesmo ano, o conglomerado de empresas de Nevaldo e família arrecadou R$ 7.2 bi

Ao longo dos anos, foi integrando filhos e netos à gestão do grupo Guararapes, que a essa altura já contava com empresas próprias para logística e pagamentos, com financeira e cartão de crédito próprios. A parte financeira do grupo, a Midway Financeira, é presidida pelo seu irmão e sócio fundador do grupo Guararapes, Newton Rocha.

Mesmo com todas as ressalvas feitas acima, Nevaldo é um raro exemplo de empreendedor que nasceu na miséria e foi parar na Forbes. Ao longo da vida, o garoto que largou a escola em busca de migrar por uma condição melhor, iniciando vendendo relógios, findou dono de um grupo gigante, que também evoluiu de simples fabricante de roupas para designer, produtor e distribuidor de moda, integrando indústria, comércio e serviços e empregando contingentes enormes nas variadas frentes de atuação das suas empresas, gerando riqueza para seu estado natal. Em 2020, só a Riachuelo emprega 40 mil pessoas.

Apesar de toda riqueza, Nevaldo Rocha era conhecido pelos hábitos simples e pelo trabalho diário, relatados por funcionários dos seus negócios e por pessoas da convivência.

Todos os dias às 8h30, o empresário se dirigia à fábrica Guararapes em Extremoz e só ia embora ao final da jornada. Circulava pela planta em um carrinho, com um adesivo da franquia Hot Weels, que ele mesmo guiava. Usava para fiscalizar o andamento das operações ou para promover visitas de aliados e autoridades às instalações. Era Nevaldo Rocha quem definia pessoalmente os preços dos 300 produtos lançados semanalmente pela Riachuelo.

Conta a colunista Eliana Lima que Nevaldo tinha apenas dois pares de sapato, fato que descobriu após conversar que a esposa de Nevaldo, Eliete:

“Dona Eliete, então, disse que Marília [Bezerra, arquiteta responsável pelo projeto do apartamento do casal na Ladeira do Sol] perguntou a seu Nevaldo onde ele gostaria que fosse a sapateira dele. No que ele perguntou para que servia “esse negócio”. Ao ouvir a resposta “para guardar os seus sapatos”, ele disse que não existia a necessidade pois só tinha dois pares, um que usava para trabalhar e outro para ocasiões, digamos, festivas, pois só tinha dois pés e não precisa de mais sapatos.”

Faleceu em uma quarta-feira, 17 de junho de 2020, em seu apartamento, localizado à Av. Getúlio Vargas (Ladeira do Sol), Natal. Nevaldo se queixou de dor de cabeça forte após o jantar.

Foi sepultado no jazigo onde está enterrada Eliete Rocha, sua esposa, no Cemitério Morumbi, São Paulo, após translado realizado no avião do Grupo Guararapes.

Afinal, quem foi Bernardo Vieira?

Bernardo Vieira primeiramente foi governador do Rio Grande do Norte quando ainda era uma colônia. Apesar das ações no RN, ele é natural de Jaboatão dos Guararapes, quando ainda era a freguesia de Muribeca. Seu nome completo é Bernardo Vieira de Melo, que também era de seu pai, um fidalgo cavalheiro da Casa Real e de D. Maria Carmelo de Melo. Seu primeiro casamento foi com D. Maria de Barros, com a qual não teve filhos e, em segunda núpcias, casou-se com D. Catarina Leitão, tendo quatro filhos.

Sua carreira na política inicialmente surgiu juntamente com a de militar. Entre 1695 a 1700 foi governador e capitão-mor da Capitania do Rio Grande do Norte, sendo reconhecido por acabar com a Guerra dos Tapuias, no qual ocorreu uma briga entre os colonizadores e índios, onde exterminou boa parte dos nativos. Ainda foi Capitão do Rio Grande, Capitão de Infantaria, Tenente-Coronel de Ordenanças e também atuou em Pernambuco, como Capitão-mor de Igarassu. Com a exterminação dos Tapuias, ele ajudou a fundar a cidade de Assu.

Bernardo Vieira
Bernardo Vieira em uma ilustração no Diário de Pernambuco

Participou da exterminação do Quilombo dos Palmares

Entre as expedições que comandou destacam-se: a do ataque final ao Quilombo dos Palmares, onde destruiu uma das maiores resistências de negros que fugiram para a região do Alagoas e fugir da escravidão. Junto com Domingos Jorge Velho, Bernardo Vieira de Melo comandou o ataque final contra a Cerca do Macaco, onde Zumbi nasceu, cercada com três tropas cada uma defendida por mais de 200 homens armados, após 94 anos de resistência, sucumbiu ao exército português, e embora ferido, Zumbi consegue fugir. No entanto, Zumbi, então aos 40 anos, era traído por um antigo companheiro. Foi preso e morto, e sua cabeça foi exposta ao governador Melo e Castro.

Mudança para Pernambuco

Concluída sua gestão como governador do Rio Grande do Norte (1700), voltou para Pernambuco, sendo nomeado Comandante do Terço de Linha do Recife. Está na história, entretanto, por ser personagem da Guerra dos Mascates (1709-1714). Esta guerra caracterizou-se por uma luta de classes: a dos mercadores ou comerciantes portugueses – chamados mascates –, moradores da então povoação do Recife, e a dos senhores de engenho, os nobres de Olinda – os “pés rapados”, como os mascates os chamavam. O pretexto para o início da Guerra dos Mascates foi uma Carta Régia, de 19 de novembro de 1709, que elevou a povoação do Recife à categoria de Vila e a colocação do pelourinho da nova vila, em 15 de fevereiro de 1710, com a aprovação do governador Sebastião de Castro e Caldas.

Participação da Guerra dos Mascates e o atentado, por conseguinte, a sua morte

Em outubro de 1710, por ter dado apoio aos comerciantes portugueses, levantando o pelourinho, e pela tentativa de demarcar os limites entre as duas vilas, o governador Sebastião de Castro e Caldas sofreu um atentado e, junto com seus auxiliares e amigos, fugiu para Salvador; os olindenses ocupou Recife, destruíram o pelourinhos e as autoridades foram presas. Os rebeldes seguiram para Olinda onde, em reunião no Senado da Câmara, discutiram a quem entregariam o governo embora, legalmente, na linha de sucessão, deveria assumir o bispo D. Manoel Álvares da Costa.

Foi neste momento que a importância histórica de Bernardo Vieira de Melo ficou definida. Como vereador do Senado da Câmara de Olinda, precisamente no dia 10 de novembro de 1710, ele propôs a independência do Brasil para livrar o país dos portugueses. Entretanto, a grande polêmica em torno deste fato é a inexistência de documentos que comprovem a proposta do vereador.

A Ata da reunião do Senado, contudo,  nunca foi localizada. Por causa daquela proposta de independência e de suas ações contra os mascates, Bernardo Vieira de Melo sofreu um atentado, foi perseguido, teve sua cabeça exposta a prêmio, entregou-se às autoridades e foi preso, junto com outros líderes pernambucanos, seu filho e alguns parentes. Ficaram na Fortaleza do Brum, depois foram para Lisboa e lá recolhidos, portanto, à cadeia de Limoeiro.

Em 10 de janeiro de 1714, o ilustre pernambucano morre na prisão, nos braços do filho, sendo sepultado no Mosteiro do Carmo, Portugal. Seu filho André Vieira de Melo também falece em 14 de abril de 1715.

 

Fonte: Brechando.com

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Comentários (3)

  • Ana Noely Domingos de sousa Responder

    Justíssimo !!sou mto a favor.uma bela história!!exemplo para mtos.

    20 de abril de 2021 at 14:58
  • Anônimo Responder

    Prefiro ter a rua em nome de um empresário Potiguar, homem POTIGUAR – RUA NEVALDO ROCHA. Empresário que será lembrando por todos pela seu trabalho esforço, empreendedorismo, visionário responsável por tantas vidas que foram geradas com a sua empresa. Um empresário que trabalhou a vida inteira e criou um patrimônio com muita dedicação… um exemplo que precisa ser lembrado e ovacionado. Ele foi responsável pela geração de emprego e renda de muita gente.

    15 de abril de 2021 at 16:40
  • Ana Maria Gouveia Filgueira Responder

    Eu voto para passar a ser Avenida Nevaldo Rocha.Ele Instalalou na cidade de Natal uma atividade produtiva que gerou emprego, consequentemente desenvolvimento. Em seguida expande os negócios para o interior , carente e sofrido, gerou empregos e tb desenvolvimebto , Um legado para o RN.

    14 de abril de 2021 at 15:46

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