Com apoio do Banco do Nordeste, projeto Semeando Esperança muda a vida de produtores rurais do RN

O projeto Semeando Esperança no Alto Oeste Potiguar está sendo desenvolvido desde 2019 pelo Serviço de Apoio aos Projetos Alternativos Comunitários – Seapac. A entidade, ligada à Igreja Católica, recebeu recursos do Fundo de Desenvolvimento Econômico, Científico, Tecnológico e de Inovação – Fundeci, por meio de edital, para difusão e transferência de tecnologia em territórios prioritários do Programa de Desenvolvimento Territorial do Banco do Nordeste – Prodeter.

Inicialmente, 188 famílias de 16 municípios da região de Pau dos Ferros, que fazem parte do Plano de Ação Territorial da Bovinocultura de leite do Prodeter, foram selecionadas para receber raquetes de palma orelha de elefante, originária do México, e sementes das plantas forrageiras leucena (América do Sul) e moringa (Índia). O plantio é consorciado e ocupa 800 m² de terras.

Outras 32 famílias, duas por município, ganharam unidades demonstrativas de sistemas de reuso de água no cultivo das três plantas. De esgotos a céu aberto, como potencial fonte de contaminação por insetos e ratos, para o aproveitamento na produção de forragens. Em uma das comunidades rurais beneficiadas, o projeto canalizou as águas servidas de três casas e 1,5 mil litros passaram a ser reaproveitados todos os dias. Ao fim de quase dois anos, mesmo com os percalços gerados pela pandemia do covid-19, os números impressionam.

Tomando por base a medida padrão de 1 hectare, o Seapac estima a produção de 40 toneladas de forragem animal por ano; volume suficiente para alimentar 7 matrizes leiteiras durante os seis meses, certos, de escassez de pasto na região. Considerando que a moringa tem em sua concentração de nutrientes 28% de proteínas, alguns agricultores se tornaram autossuficientes na produção de ração para seus pequenos rebanhos.

“A gente quebrou vários paradigmas com a iniciativa. Havia certa resistência ao cultivo da palma, mas hoje todos veem que dá certo. A planta ainda tem uma vantagem: se não precisa usar deixa estocada no campo, não tem custo e vai estar maior no próximo corte”, explica o coordenador do projeto pelo Seapac, o engenheiro agrônomo Fabrício Jales.

Os exemplos de sucesso do cultivo consorciado se repetem em todos os municípios contemplados. Tanto, que alguns deles estão colocando o projeto em seus Planos Plurianuais – PPA, o que garante recursos para construir novos sistemas de reuso de água. “É o coroamento de uma combinação de esforços e de parceiros, como o Banco do Nordeste, Emater-RN, Nossa Empresa Rural, prefeituras, Emparn, Seapac e, principalmente, cada família do Semeando Esperança”, acrescenta Jales.

“Projetos como o Semeando Esperança contarão sempre com o apoio do Banco do Nordeste. Temos um exemplo de tecnologia social bem sucedida, de amplitude relevante para o homem do campo, buscando soluções inovadoras, como é o caso do reuso de águas cinzas, para convivência com o semiárido. Diante do sucesso da iniciativa, iremos promover dias de campo para a difusão com produtores do Rio Grande do Norte e outros estados, envolvendo parceiros públicos e privados, dentre outras lideranças”, enumera o gerente de Desenvolvimento Territorial do BNB, Agnelo Peixoto.

O projeto chega, agora, à fase de difusão do conhecimento, quando os ensinamentos serão repassados pelos agricultores beneficiados inicialmente a outras famílias de seu entorno.

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