Hoje é Dia Mundial da Educação; desafios na pandemia

Crédito: Freepik

O Dia MUNDIAL DA EDUCAÇÃO, este ano, mais do que nunca, merece ser celebrado. A data, que foi estabelecida há 21 anos por líderes de 164 países durante o Fórum Mundial de Educação de Dakar, no Senegal. simboliza o acordo entre essas nações diante do desenvolvimento da educação até 2030. O acordo procurava, sobretudo, encorajar a construção de uma sociedade mais justa através da educação e da participação da família. Coincidentemente, mais de duas décadas após essa data se firmar no calendário, a educação mundial vive um processo de reformação.

Faz um ano que o ensino digital à distância entrou nas casas (daqueles que possuem acesso à internet, vale ressaltar) e revelou os obstáculos dos métodos de aprendizagem e a desigualdade social no Brasil. A educação foi obrigada a se reinventar dentro de um curto espaço de tempo, impossibilitando a formação dos professores diante do novo normal imposto pelo sistema remoto e o apoio às famílias na hora de direcionar os alunos durante este processo.

As mudanças no processo de ensino-aprendizagem e os inúmeros desafios impostos pela pandemia do novo coronavírus marcam, em 2021, o Dia Mundial da Educaçãoe. Desde que teve início, no ano passado, a pandemia transformou radicalmente a rotina de educadores e estudantes de todo o país, que tiveram que se reinventar e se adequar aos novos formatos de ensino, para que o processo educacional não fosse interrompido.

Impactos da pandemia podem comprometer ensino até 2024

Angela Dannemann, superintendente do Itaú Social, explica que o Brasil foi um dos países que ficou mais tempo com as escolas fechadas, por isso os estudantes perderam a forma mais comum de aprender: com interação social.

“De repente, a relação pessoal e direta desapareceu e causou um abalo grande demonstrado em pesquisas em relação à parte mais socioemocional. O aumento da ansiedade, tristeza, agressividade, mas a parte principal é a interlocução da aprendizagem”, pondera a mestre em administração. “Pesquisas mostram que isso vai gerar consequências negativas de aprendizado até 2024.”

De acordo com a última pesquisa encomendada ao Datafolha pela Fundação Lemann, Itaú Social e Imaginable Futures, 69% dos pais e responsáveis dizem que os estudantes dos anos iniciais do ensino fundamental terão atraso em seu processo de alfabetização, com prejuízo ao ensino.

Além disso, Angela também ressalta que algumas famílias acreditam que as crianças da pré-escola terão o aprendizado comprometido porque não podem aprender na frente de uma tela. A pandemia, apesar de ter avançado na tecnologia, também deixou a desigualdade tecnológica em foco.

Entidades promovem live sobre alfabetização na pandemia

Para celebrar a data do Dia Mundial da Educação e engajar a sociedade nas discussões sobre a qualidade da educação, a Fundação Lemann, o Instituto Natura e a Associação Bem Comum promovem uma live sobre alfabetização na pandemia nesta quarta-feira (28/4), às 17h30.

A transmissão será feita pelo Facebook da Fundação Lemann, com tradução em libras. O evento contará com a moderação da influenciadora Lorena Carvalho, a professora Coruja. Participarão do debate Mara Mansani, vencedora do Prêmio Educador Nota 10 em 2014; Marcia Ferri, gerente de projetos no Instituto Natura; e Fátima Melo, coordenadora pedagógica da Escola José de Matta e Silva, em Sobral (CE).

Educação dá acesso a todos os outros direitos

Para Angela Dannemann, a educação precisa ser celebrada todos os dias, pois é ela que facilita o acesso aos direitos e deveres dos cidadãos. “A educação é um direito que habilita e dá a possibilidade de enxergar todos os outros direitos. A gente só consegue enxergar que tem direitos quando a gente se educa”, explica.

Raphael Coelho, CEO da plataforma de tutoria on-line TutorMundi, afirma que o Dia da Educação é para comemorar a liberdade de estudo. “Eu acredito que, muitas vezes, a gente não percebe o quanto é difícil chegar nesse ponto onde as pessoas têm liberdade de estudar, de expressar, de pesquisar qualquer coisa que seja”, diz.

Engenheiro de formação, ele foi convidado para ser professor de matemática com apenas 18 anos, após ser o primeiro colocado no vestibular da disciplina na UFSM. Hoje, ele afirma que faria diferente na sala de aula.

Raphael comenta que dividiria a aula em três blocos: o primeiro para aula expositiva, segundo para discussão em grupo e terceiro para que o aluno individualmente buscasse apoio da tutoria. “No terceiro bloco, ele viraria protagonista da própria educação”, explica.

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