KAROL CONKÁ FALA COMO SUPEROU CANCELAMENTO: “SE ME DESEJAM ÓDIO, RESPONDO COM AMOR”

Em entrevista exclusiva, Karol Conká revela que tem investido em um novo estilo de vida após a experiência traumática no BBB; reflete sobre a cultura do cancelamento, da qual foi vítima; e afirma que não vai deixar o deboche de lado: “Eu mudei, mas não significa que vou deixar de ser provocativa, debochada. Nasci assim”

Karol Conká (Foto: Lana Pinho)

Desde de sua passagem dramática pelo reality show Big Brother Brasil, Karol Conká tem investido num estilo de vida mais low profile, focado em cuidar de seu bem-estar e aproveitar a companhia do filho, Jorge, e de sua família, além de mergulhar na produção de seu novo álbum, que deverá ser lançado ainda neste ano. “A arte cura e salva. Estou centrada, mais madura e mais segura de onde quero estar”, disse Karol em entrevista exclusiva à Marie Claire.

Após o período conturbado pós-BBB, Karol decidiu se concentrar em sua saúde mental antes de, aos poucos, retomar sua rotina. Os passos ainda não são tão largos, mas ela afirma não ter pressa. Atualmente, investe em sessões de terapia e também se apoia nos amigos fiéis: a mãe Ana Maria dos Santos de Oliveira, o filho Jorge e duas amigas, cujos nomes ela prefere não revelar. “Quando saí do reality, fiquei meio perdida, pensando ‘e agora, o que eu faço?’. Depois, vivi um longo processo para entender o que estava acontecendo. Tive de buscar meu amor próprio. Hoje, foco no que é real. Há muito mais gente me mandando carinho do que haters. A vida fora das redes sociais é muito mais legal, e eu tenho pessoas incríveis ao meu lado”, diz ela.

Relacionamentos amorosos, no entanto, por ora estão fora dos planos de Karol, que, durante o período mais turbulento pós-Big Brother, afirma ter perdido a libido. “Sempre fui mais de trabalhar do que namorar”, diz ela. “Me surpreendi comigo mesma lá dentro [do BBB]. Dei um beijinho, mas deixa pra lá. Acredita que desde que eu saí do reality, não beijei na boca? Fiquei tão focada em me reconectar com a minha essência que não senti vontade. Estou pegando eu mesma”, brincou ela. “Tenho os meus rolinhos, fico trocando umas ideias. No momento, estou sem libido. Trabalhar é o tem me dado prazer, mas estou disposta a conhecer novas pessoas”, diz ela.

Recentemente, em entrevista ao podcast Mano a Mano, comandado por Mano Brown, Karol se abriu sobre traumas como a morte do pai, em decorrência do alcoolismo, quando ela ainda era uma adolescente; o racismo do qual foi vítima em Curitiba, quando uma professora lhe disse que “gente preta é para limpar privada”; e a depressão que enfrentou ao sair do reality show e o cancelamento nas redes sociais em decorrência da rejeição no BBB. “O cancelamento real rolou. Foi o cancelamento das minhas atitudes e a tentativa de me cancelar, de me exterminar do mundo, porque seria mais fácil ter menos uma preta atrevida para despertar a cabeça de outras pessoas”, disse Karol ao podcast. “Eu enxergo o cancelamento como a maior experiência que eu já vivi na minha vida, para me provar que a arte resiste, que a arte muda tudo.”

Leia a entrevista com Karol Conka:

Karol Conká (Foto: Lana Pinho)

MARIE CLAIRE Qual foi a maior lição de sua participação no Big Brother?

KAROL CONKÁ Tudo que vai, volta. Em tudo. Não só no meu caso, mas para tudo e todos. Quem assistiu ao BBB viu que tudo que vai, volta. Eu digo isso porque eu estava com uma carga muito grande de frustação, com tristeza de viver em um confinamento de ter os meus demônios revividos ali dentro sem poder me expressar direito e acabei externalizando de uma maneira que eu também reprovo. Bateu e voltou para mim em forma de cancelamento.

MC Você participaria de outro reality show?

KC Hoje não, mas não digo que nunca mais participaria, sabe? Acho legal reality show. Mas hoje não porque estou focada em outras coisas, em novos projetos e acho que preciso de um respiro também. Até para a minha saúde mental e para eu me entender melhor. No reality, pude conhecer outra camada da minha personalidade. A reação do público fala muito mais do mundo que a gente está vivendo hoje, então, tem muita coisa que eu preciso refletir ainda não só sobre mim, mas sobre o espaço que eu ocupo.

MC Quando você recebeu o convite do BBB21, o que passou pela sua cabeça? Qual foi sua pretensão ao participar do programa?

KC Eu pretendia expor meu trabalho, ficar mais conhecida pela minha música. Queria chegar a um maior número de pessoas, além de fazer novas amizades. Afinal de contas, já estávamos há mais de um ano em pandemia, e eu realmente não saí de casa [em 2020]. Levo muito a sério esse lance de ficar em casa, então, fiquei isolada mesmo. Fui para o BBB querendo uma aventura. Queria algo novo porque eu vivo de show, gosto de palco e de muita gente reunida. Mas Eu sabia que iria ter julgamentos. Em relação a isso, há muitos anos, em minha carreira, convivo com reclamações e tudo mais. Só não esperava que fosse causar um show de frustações. Não só no público, mas para mim, para a minha família. A pretensão era somente esta: chegar lá e expandir o meu negócio.

MC Qual foi impacto do cancelamento em sua vida?

KC Contei com o apoio da minha equipe, de profissionais da área de saúde mental, da família e de amigos para não cair naquela, como posso dizer… Era uma bolha de ódio tão grande que não tinha como eu não me sentir infectada ou afetada pelo o que estava acontecendo. Tive que me controlar muito e entender que, ou eu parava para separar se o que eu estava sentindo era real ou fictício, ou eu não ia ficar bem. Se me afundasse, não ia estar aqui para contar minha história. Foi muito pesado. Percebi que a falta de empatia era grande. Faltou empatia em mim, mas também das pessoas que estavam assistindo… Refleti muito sobre isso, o real cancelamento, e pensei: “Não vou desistir porque preciso mostrar que o cancelamento fala mais sobre a vontade das pessoas e a falta de coragem de viver o erro do que realmente o que é”. Teve gente desejando que eu morresse, dizendo que eu não iria conseguir sobreviver, que teria vergonha… As pessoas pensavam e diziam esse tipo de coisa. Fazendo terapia, entendi que o meu erro não chegava a ser algo grave a ponto de eu abominar ou deletar minha vida, me cancelar.  Fui entendendo o que me libertava. Para me sentir assim, me expus ao público e disse: “Olha, fiz isso, estou mal,  envergonhada e com remorso”. Uma coisa interessante é, a partir de agora, toda as vezes que rolar uma situação de cancelamento, as pessoas vão do que vivi. E eu estou aqui e sobrevivi.

MC Atualmente, o que faz para cuidar de sua saúde mental?

KC Eu foco no que é real. É muito mais gente me mandando carinho do que haters. Inclusive, há pessoas no meu inbox que há três meses me mandavam mensages de ódio, xingamentos e, hoje, escrevem me pedindo desculpas. Se uma pessoa me jogou um hate, eu devolvo com amor. É o que aprendi com o meu cancelamento. Não estou vibrando nessa frequência [de ódio]. Tento manter a tranquilidade em relação aos comentários. A vida fora das redes sociais é muito mais legal: tenho pessoas incríveis ao meu lado. As coisas que eu assisto, leio, vejo com a minha família são incríveis. Eu foco nisso, se não a gente perde a vontade de viver.

FONTE: MARIE CLAIRE

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