Tim Maia: em 15 de março de 1998 o mundo da música perdia um gênio

@timamaiaoficial

O Brasil acordou mais silencioso naquele 16 de março de 1998. Na véspera, havia se calado para sempre a voz rouca e poderosa de Tim Maia, um dos maiores nomes da música brasileira. O cantor morreu aos 55 anos, após uma semana internado no Hospital Universitário Antônio Pedro, em Niterói, vítima de uma infecção generalizada que levou à falência múltipla de órgãos.

Os dias que antecederam sua morte foram dramáticos. Em 8 de março de 1998, Tim Maia subiu ao palco do Teatro Municipal de Niterói para gravar um show especial para o canal Multishow. O espetáculo deveria marcar um novo projeto ao vivo do cantor. O teatro estava cheio e a expectativa era grande. Como acontecia em muitos de seus shows, ele chegou atrasado, enquanto sua banda, a famosa Vitória Régia, tocava para aquecer o público.

Quando finalmente apareceu, porém, era evidente que não estava bem. Com cerca de 140 quilos e enfrentando problemas de saúde como hipertensão, diabetes e dificuldades respiratórias, Tim Maia parecia extremamente cansado. Mesmo assim tentou cantar. Pouco depois de iniciar a apresentação, sua voz falhou e ele começou a demonstrar grande dificuldade para respirar. O show precisou ser interrompido e o cantor deixou o palco.

Nos bastidores, seu estado piorou rapidamente. Ele sofreu uma crise hipertensiva acompanhada de edema pulmonar e foi levado às pressas para o hospital em Niterói. O público saiu do teatro sem imaginar que havia acabado de assistir à última vez que Tim Maia pisaria em um palco.

A saúde do cantor já vinha fragilizada havia anos. Famoso pelo talento gigantesco e pela vida intensa, ele conviveu durante décadas com excessos de álcool, drogas e alimentação desregrada, fatores que agravaram seus problemas médicos.

Nascido em 1942 no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro, Tim Maia revolucionou a música brasileira ao misturar soul, funk e rhythm and blues com a tradição da MPB. Canções como “Azul da Cor do Mar”, “Primavera”, “Gostava Tanto de Você” e “Não Quero Dinheiro” se tornaram clássicos eternos.

Após uma semana de internação, seu estado se agravou por causa de uma infecção generalizada. No dia 15 de março de 1998, o Brasil perdeu não apenas um cantor, mas um fenômeno da música popular. Curiosamente, o velório do artista foi realizado no mesmo Teatro Municipal de Niterói onde ele havia tentado cantar pela última vez — como se o palco e a despedida fizessem parte do mesmo capítulo final de uma vida tão caótica quanto genial.

 

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