Em 1968, Guilherme Arantes era um jovem de 15 anos que estudava em um colégio só para garotos em São Paulo. Dono de uma personalidade introspectiva e artística, ele destoava do padrão de comportamento exigido pela cultura da época, que exaltava uma masculinidade agressiva e intolerante.
Guilherme formava um trio inseparável com outros dois colegas. A conexão entre eles era baseada na sensibilidade mútua e no interesse pelas artes.
Guilherme era o único heterossexual do grupo, mas a homossexualidade de seus amigos nunca foi uma barreira. No entanto, para o restante do ambiente escolar, o trio se tornou vítima constante de homofobia.
O grupo passou a ser alvo de um bullying sistemático que começou com insultos verbais e isolamento social, mas que rapidamente escalou para agressões físicas.
O cenário tornou-se sombrio quando a intolerância deu lugar à barbárie. Em um episódio planejado, um dos amigos de Guilherme foi encurralado em uma sala de aula e violentado sexualmente por um grupo de mais de dez alunos. Pouco tempo depois, o ritual de violência se repetiu com o segundo amigo.
Guilherme, devastado por testemunhar a destruição psicológica e sexual de seus amigos, compreendeu que ele era o próximo da lista. Em um instinto desesperado de sobrevivência, ele decidiu que a única forma de não ser a próxima vítima era ser mais brutal que os seus agressores.
O jovem sensível forçou-se a tornar-se extremamente violento e reativo, envolvendo-se em brigas constantes como uma tática de defesa, o que levou à sua expulsão definitiva da escola.
O trauma de ver a crueldade humana de perto deixou cicatrizes profundas. Em 1969, aos 16 anos, Guilherme Arantes escreveu “Meu Mundo e Nada Mais” como um desabafo sobre a profunda decepção com o mundo exterior. A letra é o grito de quem testemunhou a vitória da perversidade sobre o afeto e compreendeu, precocemente, que a inocência, uma vez estraçalhada, jamais poderia ser restaurada.
Fonte e foto: @omelhordopassado/@amiltonlatinooficial





Comentário (1)
a gente assiste vários filmes e percebe o quanto o sapiens é mais irracional que racional. O portal para o humanismo apenas está disponível para poucos.