POR QUE PEDRO ÁLVARES CABRAL COMANDOU A SEGUNDA ARMADA?

Ilustração

Por Manoel de Oliveira Cavalcanti Neto – Sócio Efetivo do IHGN

Vasco da Gama é reconhecido como o Descobridor do Caminho das Índias, uma viagem coroada de sucessos. Causa estranheza porque foi preterido para comandar a segunda armada, já que era o preferido por D. Manuel, que assumira o compromisso que ele seria o senhor de todas as armadas que partissem para as Índias.
A resistência partiu da Igreja que não gostava dele porque tinha uma postura devassa e não seguia os seus preceitos, os nobres o rejeitava por ser de baixa nobreza, a Ordem da Cruz de Cristo, porque vinha da Ordem de Santiago, os comerciantes, grandes financiadores, não confiavam nele porque não era diplomata e assim corriam o risco de perderem o capital investido, a marinhagem e os pilotos por sua violência e truculência com a tripulação.

Muitos atribuíam o sucesso da primeira Armada de 1497/1499 a seu irmão mais velho, Paulo da Gama, que o livrou de situações críticas na Índia e que veio a morrer no fim da viagem de regresso e foi sepultado na ilha Terceira, nos Açores.
Diante de tantos argumentos o rei não demonstra fraqueza, mas não esperava tanta resistência a Vasco da Gama, pois além do compromisso assumido, tinha uma simpatia pessoal por ele, mas não poderia contrariar seus melhores conselheiros.
Então perguntou D. Manuel, “Quem deverá ser o nome forte para a Armada?” Esperava que isso deixasse todos vacilantes, mas sem perda de tempo logo D. Fernando Menezes, governador de Ceuta, deu um passo à frente e disse: “Pedro Álvares Gouveia, Pedro Álvares, majestade, conhecido por Cabral, seu nome de família, é o segundo filho de Fernão Cabral, conselheiro d’el-rei D. João II, senhor de Azurara e Belmonte”.

O rei acenou positivamente com a cabeça, dizendo “O Gigante da Beiras, Cavaleiro de Cristo que esteve a serviço do meu antecessor”. D. Fernando confirmou: “Exato majestade, o bravo de Marrocos. É um fidalgo de bom sangue e provas dadas em combate. Homem ilustrado e instruído, Cavaleiro da Ordem de Cristo. Combati ao seu lado e sei como o respeitam os seus e o temem os demais. Sabe as artes da guerra e as ciências da navegação por bons mestres que teve aqui na corte desde muito cedo.
Com sua voz forte, Afonso de Albuquerque, conselheiro do rei e considerado um gênio militar, fez questão de afirmar que Cabral o tinha salvo a vida no Norte da África e o considerava forte nos braços e puro na alma, um homem dos novos tempos, instruído.

Depois disso D. Manuel pediu que todos se retirassem, exceto D. Fernando e D. Afonso que deveriam acompanha-lo. A decisão estava tomada.
Pedro Álvares Cabral nasceu em Belmonte e era nobre de alta estirpe, aos 14 anos foi para a corte aprender tudo que se deveria aprender, estudou com os grandes mestres da corte, em sua maioria mestres judeus, então ele aprendeu aritmética, religião, filosofia e naturalmente como nobre a arte da guerra, a arte do manejo das armas e a arte da estratégia militar. Para se tornar cavaleiro foi para o Norte da África e durante 8 anos combateu no Marrocos, conhecendo mais as areias do deserto do que as águas do oceano. Era um homem forte, alto, ali se revelou como um grande líder em combate e em diplomacia.

Aparece não como um navegador, mas como um embaixador, um representante do rei e o Capitão-Mor da frota, tanto que o próprio barco tinha um outro capitão, Simão de Miranda, era quem realmente ‘governava’ a nau, mas Cabral era o comandante supremo e absoluto da armada.

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Comentários (6)

  • Rafael Cita Responder

    Conhecimento… Identidade do nosso povo… A história que precisa ser valorizada!!!
    Parabéns Manoel!!!

    12 de outubro de 2020 at 20:25
    • Manoel de Oliveira Cavalcanti Neto Responder

      Rafael, bom dia.
      Há muitos fatos que foram e continuam omitidos na nossa História. A tecnologia e a ciência do século XXI nos oferece ferramentas para que possamos investigar mais a fundo sobre ela.

      14 de outubro de 2020 at 02:39
  • Horácio de Paiva Oliveira Responder

    Muito bom! Objetivo e preciso artigo! Parabéns ao autor!

    21 de agosto de 2020 at 09:07
  • Francisco Galvão Responder

    Precisamos de mais textos como esse. Parabéns.

    20 de agosto de 2020 at 08:08
  • Paulo Responder

    Excelente texto, parabéns .

    19 de agosto de 2020 at 19:24
  • João Augusto Responder

    Parabéns pela excelente matéria.

    19 de agosto de 2020 at 18:24

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