Live com Drauzio Varela; Fake news sobre a Covid com inspiração religiosa; e um raio-x das redes Parler e Gab, onde moderação não existe

Há muito não se viam jornalistas e entrevistados tão sorridentes na TV britânica como nos últimos dias. O otimismo deve-se à notícia de que o país aprovou uma vacina contra a Covid-19, que começa a ser aplicada na semana que vem. Mas há um longo caminho até o fim da pandemia. Este é o tema da live que o MediaTalks promove na próxima quarta-feira (10/12), às 14h, reunindo convidados de primeira: o médico Drauzio Varela, a diretora de Conteúdo da Agência LupaNatália Leal, e o diretor da Repórteres Sem Fronteiras para a América Latina, Emmanuel Colombié. Junto conosco, na moderação, estará nosso parceiro Rodrigo Azevedo, CEO do Comunique-se.

Vamos conversar sobre um assunto que abordamos semana sim, outra também, no MediaTalks: as fake news insuflando negacionistas e partidários dos movimentos antivacina e anti-isolamento social, que podem colocar a perder o avanço da ciência. E ainda desafiam a liberdade de imprensa. Qual o papel dos jornalistas? E das corporações? E das plataformas? Como reverter esse mal? Um debate importante, com a participação de uma das maiores autoridades em saúde pública do país, que vai nos proporcionar reflexões e aprendizado.

O desafio é imenso, como mostra este artigo sobre uma pesquisa da organização First Draft, que dissecou temas dominantes em fake news em três idiomas, um deles o espanhol. Como foram examinados principalmente posts que circulam na América Latina, as conclusões aproximam-se mais da realidade brasileira do que as de estudos em língua inglesa. Uma delas é de que a região tem mais fake news ligadas à religião do que a soma das que foram encontradas nos outros dois idiomas pesquisados (inglês e francês). E que motivos religiosos podem afetar a decisão de aceitar a vacina.

Fazemos também um raio-x da Parler, a rede social que chegou a alcançar a liderança entre os aplicativos mais baixados na Apple Store americana em novembro, alavancada por seguidores de Donald Trump e gente que foge da moderação das plataformas globais − entre eles muitos radicais e teóricos da conspiração. Mas não é a única. A Gab é outra que vem ganhando seguidores, inclusive no Brasil. Ao renegarem fontes confiáveis, desacreditarem a imprensa e se isolarem em bolhas, os que migram para essas redes mergulham no pensamento único e são expostos a mitos sem contestação.

Outro artigo da semana mostra a criatividade dos que propagam desinformação sobre a Covid-19No Reino Unido, surgiu um jornal que pouco circula. Mas suas matérias absurdas − como a falsa notícia de que o CDC americano teria confirmado que a Covid-19 não existe − ganhou o mundo. É a desinformação pegando carona na credibilidade que uma matéria de jornal transmite.

Com tantas ameaças à verdade, a sobrevivência do jornalismo de qualidade é imperativa. A notícia sobre o acordo fechado pelo Facebook com jornais britânicos para pagar por conteúdo é um marco. Influenciada ou não pela decisão do governo de criar um órgão regulador, o fato é que pode começar a reequilibrar a relação comercial entre as plataformas e a indústria de mídia, objetivo do governo ao criar a unidade.

Last but not least…

A vacina está chegando, mas as máscaras ainda devem continuar entre nós por um bom tempo, dizem os especialistas. Para quem está cansado delas, aqui uma ajudinha para inovar o visual. Uma galeria da Universidade de Denver, nos Estados Unidos, convidou artistas para criarem máscaras bem diferentes. Pode não dar para usar, mas são obras de arte. Confira aqui.

Fiquem em paz, com cuidado e não esqueçam da máscara. Nos vemos na live na próxima quarta-feira,

 

Eduardo Ribeiro, publisher, Jornalistas Editora / São Paulo

Luciana Gurgel, coordenadora editorial, MediaTalks / Londres

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