O padre e o peso da sua cruz (Minervino Wanderley)

Fonte: ipc.org

Sou católico. Não por influência da família, nem de amigos, ou por ter estudado em colégio católico. Sou por identificação. Frequentei centros espíritas, cultos evangélicos, terreiros de umbanda, e até tive uma fase ateísta. Com o passar do tempo, me senti mais próximo do meu Deus através do catolicismo. Então comecei a tentar praticar o que Jesus tanto fez questão de nos ensinar.

Há cerca de dez anos, presto serviços voluntários na Paróquia de Nossa Senhora de Candelária, na Pastoral da Comunicação. Com muito orgulho, faço questão de frisar. Desde que comecei, tive o cuidado de colocar os padres no patamar dos seres humanos normais. Com erros e acertos. O meu trabalho era dedicado a Jesus e, muito particularmente, à Nossa Senhora.

Assim, por achar que os padres são pessoas iguais às outras, e não capazes de operar milagres ou coisas semelhantes, sempre os enxerguei como pastores que conduzem as ovelhas pelos caminhos da vida, com zelo e cuidado, fazendo uso dos estudos que a Igreja proporciona. Padre Júlio Cesar Cavalcanti, pároco de Candelária, era assim.

E não poderia ser diferente. A Igreja Matriz da Candelária sempre ultrapassava seus limites de lotação aos domingos e em datas solenes. Todos aqueles que formam a comunidade de Candelária, assim como frequentadores de outros bairros, gostam de padre Júlio. Dou o meu testemunho disso.

Dispensável dizer o que houve há cerca de quinze dias. As mídias sociais – sempre elas – se encarregaram de levar aos quatro cantos do mundo – sem exageros! – o fato ocorrido envolvendo padre Júlio. Fiquei atordoado, naturalmente, mas raciocinei como jornalista e como cristão naquele momento de grande turbulência.

Abro um parêntese – Quero deixar muito claro o seguinte: em nenhum momento sou a favor da omissão de informações. Essa é a função do Jornalista. Abraçamos a profissão para fazer exatamente isso. – Fecho o parêntese.

Prossigo.

Passei a acompanhar os posts relatando o assunto. Vi que em quase sua totalidade já havia o julgamento de padre Júlio. Pessoas que eu via na Igreja Matriz, cantando e jurando seguir os mandamentos e ensinamentos pregados por Jesus, deixaram esse fervor de lado e já foram para a execração de um ser humano.

Muitos tripudiaram em cima do erro do padre. Repassaram os posts rapidamente e sempre com uma pitada de maldade. Títulos escandalosos povoaram as redes; outros fizeram “memes” e tome gozações. Recorde de visualizações. Fizeram uma festa à base da desgraça alheia.

Isso, amigos, nada mais é do que um apedrejamento público. Em nenhum momento eles perceberam em quem estavam atirando as pedras. Era num homem. Era num irmão nosso, sabiam? Mas o negócio era “viralizar” suas publicações, ser o mais “criativo” e por aí vai.

Você, que jogou a pedra com tanta força, se colocou no lugar dele? Você, que viu tão ampliado o erro por ele cometido, já reparou nos seus? Seja sincero: você nunca cedeu a uma tentação?

Ora! Quem somos nós para julgar um semelhante? Quem somos nós para enxergar um cisco no olho do outro, quando não enxergamos a trave que há no nosso?

Para cada situação há um tribunal adequado, devidamente preparado para cada momento.

Na vida, temos que ter escolhas, tomar decisões. Dentre elas está essa: você quer ser um seguidor de Jesus, ser um Cristão? Caso responda “sim”, então abandone suas vaidades, seu narcisismo, seus julgamentos, suas ambições, e coloque-se sempre no lugar do outro. Não deseje para ninguém o que não deseja para você.

Caso diga “não” à escolha, que atire a primeira pedra.

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Comentários (9)

  • Anônimo Responder

    Padre Julio espero que o Senhor nao seja sacrificado por isso.errar todo mundo erra mas para isso rxiste um Deus todo poderoso que pode lhe julgar e perdoar eu sei que o seu ato como.padre pesa muito mas a consciencia é sua e de mais ninguem.espero que a Igreja averigue e lhe de o direito de uma nova chance e que esse caso nao seja nunca esquecido pelo senhor.Nao devemos julgar a ninguem mas essa moça naao tivesse jogado em redes sociais isso era grave e o problema era entre ela e o marido e se queria atingir o padre fosse somenre entre eles.Que Deus tenha piedade de todos e que ajude ao Padre nesse momento para que ele nao seja prejudicado.força. Padre Julio estou rezando pelo Senhor tenha fe em Deus que tudo voltara a ser como antes.

    21 de junho de 2022 at 12:43
  • Aldair Santos Responder

    De tantos depoimentos que ouvi, ficou registrado o de uma moça que foi paroquiana de Candelária e hoje mora em Fortaleza.
    Ela falou que Pe Júlio, por várias vezes aliviou suas angústias durante a homilia!
    Isso para mim bastou para ver quantas almas foram salvas por meio da pregação deste grande Padre, servo de Deus. Que ama celebrar de forma tão cuidadosa! Deus o abençoará nessa tribulação assim como fez até Agora! Nossa Senhora interceda pela causa!

    20 de junho de 2022 at 13:59
  • Anônimo Responder

    Gostaria muito que o meu comentario fosse publicado.eu nao sei como publicar.me ajudem faço questao

    18 de junho de 2022 at 18:35
  • Maria de Fátima Marques do Rego Barros Responder

    Amo padre Júlio César, foi pároco de Macaiba, por muitos anos, e não atiro nenhuma pedra, ao contrário, rezo sempre por ele, e agora, muito mais! Que Deus lhe dê forças, e o levante de tamanho sofrimento!

    18 de junho de 2022 at 16:53
  • Socorro Marques Responder

    Faço suas palavras as minhas.eu tive muita vontade de ir a Igreja de Candelaria e no final da missa perguntar para os catolicos se eles nunca pecaram.que atirem a primeira pedra quem nunca pecou.onde esta a fe em Deus.o padre é um pecador como nos.quem pode julgar é Deus e nao nos.Estou rezando por ele esse grande padre trabalhador e fiel a Deus.

    18 de junho de 2022 at 16:36
  • Anônimo Responder

    Belo texto! Parabéns! Lindo, verdadeiro e necessário, principalmente no momento atual!

    17 de junho de 2022 at 16:56
    • Maria de Fátima Marques do Rego Barros Responder

      Eu sempre rezo pelos sacerdotes, e Padre Júlio César, foi pároco aqui em Macaiba por muitos anos, e sempre teve uma moral ilibada, querido e respeitado por todos! Não o julguei, pois não tenho esse direito, aí contrário, rezo ainda mais, para que ele possa suportar esse martírio, e se recuperar!

      18 de junho de 2022 at 17:12
  • Robson Saldanha Responder

    Perfeita colocação. Pe. Júlio foi julgado e condenado ao apedrejamento virtual. Triste.

    17 de junho de 2022 at 11:21
  • Socorro Queiroga Responder

    Parabéns, faço das suas palavras as minhas.
    Padre Júlio o sr tem todo o meu respeito e admiração.

    17 de junho de 2022 at 11:14

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