O PAPEL DO CIRURGIÃO DENTISTA NO TRANSPLANTE DE MEDULA ÓSSEA – Por Simone Norat Campos

Por Simone Norat Campos

O transplante de células tronco-hematopoiéticas – TCTH, também chamado de transplante de medula óssea é um tratamento realizado em algumas doenças para fornecer ao paciente células tronco que vão ajuda-lo a combater a doença e a produzir novas células sanguíneas normais. É indicado em alguns tipos de câncer como mieloma múltiplo, leucemia e linfomas.

O transplante de medula pode ser autólogo, onde as células tronco são obtidas da medula do próprio paciente, ou alogênico quando é obtido de um doador aparentado ou não. Antes do transplante, é preciso tratar a doença do paciente primeiro e, para isso, é feito o condicionamento pré transplante, que consiste em fazer altas doses de quimioterapia para destruir as células sanguíneas doentes, inativando a medula óssea antiga, para receber ou transplantar uma nova fábrica de células sanguíneas saudáveis, como numa transfusão sanguínea.

Mas qual o papel do dentista, aonde ele pode ajudar? Em todos os momentos do transplante, antes e durante o condicionamento, durante a hospitalização e após a alta hospitalar. O paciente antes do transplante precisa passar pelo dentista para ter sua cavidade oral adequada, além da assistência rigorosa durante e após o transplante, afim de evitar complicações agudas e crônicas.

No pré condicionamento, o paciente se submete a altas doses de quimioterapia, ocorre uma aplasia da medula óssea antiga para que o paciente possa receber a medula óssea nova. Nesse momento, pode acontecer vários efeitos colaterais. O paciente vai ficar sem células de defesa (neutrófilos), susceptível a sangramentos pela diminuição das plaquetas e infecções graves.

Antes do condicionamento pré transplante é realizado uma avaliação criteriosa da cavidade oral para remoção dos focos infecciosos e fontes de trauma.  O dentista realiza uma consulta criteriosa, exame físico e solicita exames complementares como radiografias/tomografias e exames hematológicos.

O ideal é que o paciente faça seu tratamento odontológico antes do transplante pelo menos uns 15 dias, para que esteja tudo cicatrizado antes do condicionamento.

Durante o condicionamento, inicia o principal papel do dentista que é na prevenção e manejo das complicações orais agudas, advindas do transplante de medula óssea.

Os pacientes se submetem a quimioterápicos de altas doses e a muitos estomatotóxicos, que irão induzir ao principal e mais comum efeito colateral, chamado mucosite. A mucosite causa muita dor, impede o paciente de se alimentar, dificulta a fonação e deglutição, sendo muito debilitante.  Aumenta o risco de infecções nessa fase de mielossupressão (imunidade baixa).  Assim que começar o condicionamento, devemos iniciar a prevenção da mucosite oral com a laserterapia, além de crioterapia (terapia com gelo). Vamos manter a laserterapia até a pega da medula ou enquanto durarem as lesões.

O dentista tem que ver o paciente todos os dias durante a hospitalização, ficando atento a infecções específicas por microorganismos como o citamegalovírus e o vírus Epstein-baar, devido aos medicamentos utilizados.

Devemos estar atentos a outra complicação muito temida que é a doença do enxerto contra o hospedeiro, que pode acontecer no transplante alogênico, podendo afetar vários órgãos, inclusive a boca, visando prevenir e tratar.

A presença do cirurgião dentista na equipe do transplante de medula óssea é muito importante para conceder ao paciente um atendimento integral, prevenindo os efeitos colaterais e colaborando no sucesso do transplante.

*Dentista – Casa Durval Paiva

CRO/RN 1784

 

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