Universidade de Cambridge publica estudo da UFRN que usa LSD como ferramenta de cura

Tradução do título acima: “LSD, loucura e cura: experiências místicas como possível ligação entre o modelo de psicose e o modelo de terapia

O Psychological Medicine, periódico de pesquisas da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, publicou hoje (13) o estudo realizado por pesquisadores da UFRN e Unicamp com experimentos de LSD (dietilamida do ácido lisérgico) e placebo inativo, na busca da relação entre o estado psicótico e o tratamento terapêutico.

Sob o título “LSD, loucura e cura: experiências místicas como possível elo entre o modelo de psicótico e o modelo terapêutico”, a pesquisa contou com a participação de 24 voluntários adultos, saudáveis, que já fizeram uso do psicotrópico.

Cada um ingeriu 50 microgramas numa sessão e placebo em outra, 14 dias depois, sem saber em qual delas tomou o quê. Período em que, ao longo de oito horas, os voluntários foram submetidos a testes e responderam questionários para se saber a intensidade do efeito psicodélico, memória, sugestionabilidade, tendência a atribuir significados especiais a objetos e pensamentos etc.

Da UFRN, assinam como autores os neurocientistas Fernanda Palhano-Fontes e Sidarta Ribeiro, do Instituto do Cérebro, ao lado de Amanda Feilding, da Fundação Beckley (Reino Unido), e, pela Unicamp, a psicóloga alemã Isabel Wießner, orientada pelo psiquiatra Luís Fernando Tófoli – que figura como autor sênior – e o psiquiatra Marcelo Falchi.

Lupas

De acordo com os pesquisadores no estudo, por “um século os psicodélicos foram investigados como modelos de psicose para demonstrar semelhanças fenomenológicas com experiências psicóticas e como modelos terapêuticos para tratar depressão, ansiedade e transtornos por uso de substâncias. Este estudo procurou explorar essa relação paradoxal conectando parâmetros-chave da experiência psicótica, psicoterapia e experiência psicodélica”.

Observaram que o “LSD induziu experiências psicodélicas, incluindo alteração de consciência, experiências místicas, dissolução do ego e experiências moderadamente desafiadoras, aumento da saliência aberrante e sugestionabilidade, mas não da atenção plena. A saliência aberrante induzida pelo LSD correlacionou-se altamente com imagens complexas, experiências místicas e dissolução do ego. A sugestionabilidade induzida por LSD não se correlacionou com outros efeitos. Mudanças individuais de atenção plena se correlacionaram com aspectos de saliência aberrante e experiência psicodélica”

Resultado

Concluíram que o “estado de LSD se assemelha a uma experiência psicótica e oferece uma ferramenta de cura. A ligação entre o modelo de psicose e o modelo terapêutico parece residir em experiências místicas. Os resultados apontam para a importância da atribuição de significado para o modelo de psicose do LSD e indicam que a terapia psicodélica assistida pode se beneficiar de sugestões terapêuticas que promovam experiências místicas”.

Estudo completo aqui.

Fonte: bznoticias.com.br

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