Meus 68 anos: comemorar e refletir

]Hoje, dia 05 de julho, chego aos 68 anos. Feliz e grato a Deus por estar aqui, lúcido e exprimindo o que se passa comigo nesse dia. Não deixa de ser um bom sinal de saúde e obstinação, se considerarmos que, no nosso querido Brasil, os males da idade chegam mais rápido do que em países que fazem parte dos “desenvolvidos”. É ou não é?

Os governantes não se preocupam com esses “velhos”. Parece que somos punidos por teimarmos em continuar vivos. Pois eu acho que isso é inveja deles que nunca ouviram “Epitáfio”, dos Titãs:

Devia ter amado mais

Ter chorado mais

Ter visto o sol nascer

Devia ter arriscado mais

E até errado mais

O acaso vai me proteger enquanto eu andar distraído.”

É isso, turma. Somos discriminados por uma minoria curta de visão. Se qualquer um de nós tiver vontade de trabalhar e se candidatar a uma vaga numa empresa, vai ter decepção. “O que será que quer esse velho?”, com certeza pensarão os capacitados recrutadores. Sinto pena.

Deus perdoe minha falta de modéstia, mas não troco minha “cuca” com ninguém. Principalmente com aqueles que nos julgam pela idade cronológica. O nosso físico, claro, sente a passagem dos anos, mas a inteligência é regada por conhecimentos, experiências adquiridas, coisas que só a idade pode proporcionar.

Nós, “coroas”, viajamos mundo afora, aprendemos a nos comunicar em outros idiomas, vimos o surgimento dos Beatles, assistimos o mundo mudar depois de Woodstock, brincamos carnavais e dançamos quadrilhas de São João inesquecíveis, testemunhamos a internet invadir o mundo, a ciência galopar e resolver problemas antes sem solução e por aí vai. Por fim, nós somos foda!!!

Sabe outra coisa que me deixa puto da vida? Quando falam comigo usando diminutivos, como se eu fosse uma criança de cabelos brancos. “Já tomou seu remedinho?”, “Me dê seu bracinho.”, “A perninha está doendo?” Ainda bem que nunca fui a um hospital com alguma coisa no “pintinho”. A resposta seria boa demais!

Meus amigos, talvez passe pela cabeça de alguns que bom seria completar 40 anos outra vez. Eu entendo. Pense num tempo bom! Mas, o que podemos fazer contra a perfeição da Natureza? Nada, brother, nada.

O passado ficou para trás, mas como disse o poeta, sempre podemos escrever o nosso presente e futuro. Na verdade, não tenho a pretensão de voltar no tempo.

Porém, se porventura Deus me perguntasse o que eu queria mudar na minha vida, eu diria: Nada! Quero nascer filho de Emílio Salem Dieb e Martha Wanderley Salem. Queria ter os mesmos irmãos, os mesmos amigos e ter cometidos os mesmos desatinos. Quero continuar sonhando e fazendo projetos. Ainda tenho muita coisa a fazer.

Assim, conclamo vocês que estão por volta da minha idade para mandar esse povo chato pras cucuias. Não deem ouvidos aos pobres de espírito. Vamos sair, ir para bares e restaurantes, dançar, beber, rir alto, e ser feliz.

Não sou de dar conselhos, já que não vivo a vida de ninguém e, portanto, não sei o que se passa nas suas vidas. Mas, mesmo assim, por experiência própria, me atrevo a partilhar com vocês meu “modus vivendi”:

Não fique com ninguém sem amor; sem cumplicidade; sem compreensão. Não use filhos para justificar seu medo de sair e tentar uma nova vida. Eles continuarão seus filhos.

Não há coisa pior do que adiar a volta para casa somente para evitar encontrar uma pessoa que um dia foi seu amor, mas não é mais. Isso acontece.

O oposto é estar onde estiver e correr para abraçar a pessoa que causa um rebuliço gostoso no seu coração.

É tudo de bom! Faça o que eu digo e faça o que eu faço. Experimente e depois me diga. Nesse mundo cheio de turbulências, é um presente Divino ter alguém a lhe esperar. Não demore!

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